O elenco de medidas em estudo na área econômica inclui a ampliação do prazo do seguro-desemprego e a execução de um amplo programa de habitação popular, segundo informaram fontes do governo. Com essas medidas, que poderão ser adotadas junto com a desoneração tributária e a redução do Imposto de Renda da classe média, o governo espera estimular o consumo e fortalecer o mercado interno e, com isso, evitar que a crise financeira internacional provoque um grande estrago na economia brasileira.

Pelo menos uma medida provisória (MP) estava sendo concluída ontem à noite pelo Ministério da Fazenda e pela Casa Civil e deverá ser assinada ainda hoje pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com algumas dessas providências. Em reunião com os líderes dos partidos da base governista, o presidente Lula deixou claro que o governo fará o que for possível para evitar o desemprego e a recessão. "O presidente disse que não dará trégua à crise e adotará medidas permanentemente", disse o líder do PSB no Senado, Renato Casagrande (ES), depois da reunião no Palácio do Planalto.

O presidente disse aos líderes que a recessão das economias dos Estados Unidos, do Japão e dos países da Europa repercutirá no Brasil. Mas ele afirmou que ficou convencido, depois de participar da reunião do G-20 (grupo dos países desenvolvidos mais os principais países emergentes), que o Brasil é o país mais preparado para enfrentar a crise. Para o presidente, a manutenção do crescimento da China e da Índia ajudará a amenizar os efeitos da crise sobre a economia mundial.

O Brasil entrou na crise com um forte crescimento, e o governo acha que esse impulso amenizará os efeitos negativos sobre a economia brasileira. Para impedir uma maior desaceleração, a idéia da equipe econômica é sustentar a demanda global da economia.

"As medidas do governo serão para incentivar o consumo da classe média", disse o líder Casagrande. A existência de uma medida provisória em gestação no Ministério da Fazenda foi confirmada pelo líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR).

Existe até mesmo a possibilidade de que seja mais de uma medida provisória.

Os líderes ouvidos pelo Estado disseram que o presidente Lula não chegou a detalhar, no encontro de ontem, as medidas que o governo vai anunciar. Mas eles explicaram que as medidas em estudo pela área econômica procuram estimular o consumo, sustentar o nível de atividade da economia e dar maior segurança aos trabalhadores.

A avaliação que foi passada aos líderes foi a de que a situação econômica será "muito difícil" nos primeiros três meses do próximo ano. Segundo essa avaliação, a desaceleração da economia poderá durar até o terceiro trimestre de 2009, com uma retomada do crescimento a partir de outubro. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.