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Plano é parecido com o de Bush

Os detalhes do novo pacote financeiro americano decepcionaram o mercado, segundo Armando Castelar, economista da Gávea Investimentos. Ficou uma sensação de que é parecido com o que vinha sendo feito antes pelo Hank Paulson, disse Castelar, referindo-se a Henry Paulson, o último secretário de Tesouro de George W.

Agência Estado |

Bush, que lançou o plano de saneamento financeiro. O economista do Gávea comentou as quatro componentes principais do que foi anunciado ontem para o mercado financeiro.

O primeiro deles é fazer com que todos os bancos passem por um teste individual de stress para averiguação das condições de sobrevivência em um ambiente econômico hostil. Castelar acha que essa talvez seja a melhor ideia nova divulgada ontem. Os bancos que passarem no teste ganham um atestado de saúde com credibilidade, e os que não passarem serão recapitalizados pelo Tesouro.

A falha, porém, é que não se explicita como será a capitalização, o que faz com que persista o temor de que mesmo o novo governo de Barack Obama não consiga quebrar o tabu sobre a estatização dos bancos, que pode ser necessária e já foi adotada em países europeus.

O segundo ponto é uma iniciativa público-privada para adquirir ativos tóxicos em um montante de até US$ 1 trilhão. O economista do Gávea acha o total tímido - já que há avaliações de que os ativos problemáticos cheguem a US$ 4 trilhões -, e avalia que várias questões pendentes continuam sem solução, como o método de avaliação dos ativos e a forma de atrair o capital privado.

O terceiro ponto é a ampliação de um programa que já existe, em que o Fed adquire ativos de crédito originados pelos bancos, fazendo o papel de securitizador. A ideia é exatamente de que os bancos possam repassar os ativos, e portanto sintam-se confortáveis para originar os créditos. Assim, tenta-se evitar que, depois de capitalizados, os bancos continuem a não emprestar. Junto com essa medida, há também uma iniciativa para fortalecer um órgão que financia pequenas e médias empresas. Castelar acha que essa parte do plano "vai na direção certa", mas não é nenhuma novidade.

O quarto e último aspecto do plano é o subsídio do governo à renegociação de hipotecas. Para Castelar, essa ideia esbarra na questão da mudança de contratos. O problema é que as hipotecas estão pulverizadas pelo mundo inteiro, e é muito difícil, portanto, reunir os credores para aprovar as alterações contratuais. Na avaliação do economista, os anúncios de ontem também não indicaram uma solução para esse impasse.

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