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Plano é, em essência, o que o Tesouro propôs

O pacote de resgate do mercado financeiro que os líderes do Congresso americano anunciaram no início da madrugada de ontem e que deverá ser votado hoje pela Câmara de Representantes é, em essência, o mesmo que a administração Bush apresentou na semana passada e que seus correligionários republicanos tentaram torpedear, como um atentado ao capitalismo, numa frustrada tentativa de obter dividendos políticos de uma crise que pode custar-lhes a Casa Branca. Atentado ao capitalismo o plano definitivamente não é, como disse ontem Robert J.

Agência Estado |

Shiller, professor de Economia da Universidade de Yale, em artigo publicado pelo Washington Post. Autor de dois livros nos quais previu o colapso de Wall Street - entre eles, Irrational Exuberance -, Shiller advertiu contra as análises que retratam a crise como o fim do capitalismo americano. Ele lembrou que as intervenções do Estado na economia dos Estados Unidos são tão antigas quanto o país e previu que, com alguma sorte, a operação de socorro ao mercado de capitais abrirá caminho para uma evolução do capitalismo americano rumo ao que chamou de "uma robusta democracia financeira".

Esteja Shiller certo ou não, as negociações parecem ter produzido concessões largamente simbólicas e suficientes para garantir o apoio de parlamentares dos dois partidos a um plano que foi pessimamente recebido entre eleitores democratas e republicanos e só está sendo considerado por medo de que haverá uma catástrofe em Wall Street e a economia entrará em parafuso, se o Congresso deixar de agir imediatamente. Uma preocupação reconhecida pelos líderes do Congresso foi ter o pacote pronto para ser votado antes da abertura dos mercados na Ásia. O plano "não é só para Wall Street", justificou o senador Kent Konrad, democrata de Dakota do Norte. "O presidente do Federal Reserve (o banco central americano, Ben Bernanke) disse-nos que, se o crédito continuar trancado, de 3 a 4 milhões de americanos perderão seus empregos nos próximos seis meses."

Numa concessão para os republicanos, a proposta contêm uma cláusula que dá ao Departamento do Tesouro a opção de garantir instrumentos financeiros problemáticos em lugar de comprá-los, de forma a reduzir o montante inicial de dinheiro público a ser desembolsado. Atendendo aos democratas, o plano prevê que, se o pacote produzir perdas ao erário no prazo de cinco anos, o que é impossível saber ou estimar, elas serão cobertas pela cobrança de uma taxa das empresas financeiras. Também por insistência dos democratas , o pacote determina restrições os salários de altos executivos de empresas financeiras, a serem feitas pela limitação de deduções de impostos a firmas que lhes pagam mais de US$ 500 mil.

Para contentar os dois lados, o plano prevê que os desembolsos serão feitos em três parcelas. Começarão US$ 250 bilhões e US$ 100 bilhões. O Congresso pode bloquear a última parcela, de US$ 350 bilhões, mas o presidente poderá vetar a medida e obrigará os que se opuserem à continuação do programa a mobilizarem o apoio de dois terços da Câmara e do Senado. O parcelamento, no entanto, é cosmético, pois a velocidade com que os recursos serão usados dependerá da reação do mercado financeiro.

Embora conte com o suporte das lideranças dos dois partidos e de seus candidatos à Casa Branca, o plano, cuja redação final foi concluída ontem à tarde, será votado hoje, depois de uma intensa discussão no plenário da Câmara. A votação no Senado deverá ser logo a seguir. Num cuidado especial e inédito, calculado para repartir o ônus político de sua aprovação às vésperas de uma eleição na qual estão em jogo, além das presidências, os mandatos de 435 deputados e de um terço dos cem senadores, a presidente da Câmara, a deputada democrata Nancy Pelosi, mandou publicar o projeto de lei na internet. A expectativa de o Capitólio ser atingido por um dilúvio de e-mails de desaprovação mantinha dúvidas sobre o voto de vários congressistas que não têm a reeleição assegurada por antecipação. No sentido oposto, esperava-se que uma reação positiva do mercado ao pacote garantiria sua aprovação.

Não se descartava a possibilidade de McCain tentar distanciar-se da proposta, como tentou fazer na quarta-feira, anunciando a suspensão de sua campanha, após os líderes dos partidos anunciaram um acordo em princípio sobre o pacote. As tendências das pesquisas confirmaram que o foco da campanha na economia favorece Obama. Ironicamente, para McCain, o melhor cenário parece ser que o Congresso aprove o pacote e que ele produza uma rápida reativação do mercado, diminuindo a enorme preocupação dos eleitores com a economia.

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