Publicidade
Publicidade - Super banner
enhanced by Google
 

Plano do governo para agricultura não terá impacto imediato, dizem especialistas

SÃO PAULO ¿ O plano do governo para a safra deste ano, que prevê R$ 78 bilhões para empresas agrícolas e agricultura familiar, não terá efeito expressivo na oferta de alimentos a curto prazo, de acordo com especialistas.

Paula Leite, repórter Último Segundo |

 

O valor anunciado pelo governo para a agricultura representa um acréscimo em relação ao ano anterior, mas será suficiente apenas para um aumento moderado de produção, na opinião de Gilberto Barros, professor da Esalq da USP e coordenador científico do Cepea. É muito pouco provável que ocorra um grande salto de oferta. O volume produzido no próximo ano-safra vai depender em grande parte da ajuda climática, opina ele.

Mesmo na hipótese de uma grande produção, boa parte dela seria exportada. Com isso, os preços internos seguiriam acompanhando os externos, diz o especialista.

O momento é de conter os excessos de otimismo, face à evolução dos custos e ao comportamento do câmbio. O comportamento da inflação poderá forçar a economia a um crescimento bem mais lento para o ano que vem. Ainda não se sabe como o resto do mundo vai reagir à inflação galopante, afirma Barros.

Já Douglas Renato Pinheiro, economista e coordenador do curso de administração das Faculdades Integradas Rio Branco, acha que o aumentará a oferta de alimentos, mas que o efeito só será sentido a médio prazo, em cerca de um ano.

A demanda por alimentos vai continuar subindo e o governo precisa fazer alguma coisa. Existe uma pressão internacional nos preços de alimentos, mas o que dá para fazer para minimizar a pressão aqui foi feito, opina ele.

Barros também destaca a importância dos fatores internacionais na alta dos preços dos alimentos. O que provoca a alta de alimentos é uma seqüência encadeada de eventos, que começa com juros muito baixos por muito tempo. A resultante alta liquidez mundial provoca enfraquecimento do dólar e crescimento exagerado mundo afora, puxando a demanda por tudo, mas especialmente alimentos e insumos, explica ele.

O pesquisador do Cepea diz ainda que vários países produtores estão represando os preços, o que estimula o consumo e desestimula a produção, e impedindo a exportação, agravando a escassez mundial.

Além disso, o crescimento forte de várias nações também traz problemas. O alto crescimento econômico aumenta o consumo de petróleo, cujo preço dispara e leva a soluções absurdas, como o etanol o milho, diz Barros.

Para o economista Heron do Carmo, professor da Faculdade de Economia e Administração da USP, os efeitos do plano do governo sobre a inflação só serão sentidos em 2009 e 2010. Em casos como feijão e tomate, pode acontecer uma redução de esse ano, porque ainda há safra. Mas para a maioria dos produtos, os efeitos só serão sentidos no ano que vem, explicou o professor.

Segundo o economista, a inflação dos alimentos deve diminuir no fim do ano, mas os efeitos não podem ser totalmente creditados a esta ação do governo. A inflação é dada por condições passadas, porque houve quebras de safra na Austrália, na Argentina, a safra do feijão e do tomate, afirmou.

Segundo Carmo, a inflação dos alimentos que se vê atualmente é causada por uma série de fatores, inclusive a quebra de safra do ano passado. Além disso, ele destaca a alta do petróleo, usado na fabricação de fertilizantes, e os estoques de alimentos que muitos países vêm fazendo. É a política do farinha pouca, meu pirão primeiro: os países fazem estoque e tiram alimentos do mercado mundial, afirmou.

Para Carmo, as medidas do governo estão no sentido correto. O maior estímulo à produção agrícola é o preço. Quando aumenta a rentabilidade, isso é um estímulo à produção agrícola. É fundamental manter as condições de rentabilidade e que o governo atue em toda essa cadeia, explicou o professor. Como, segundo ele, o plano do governo vai ajudar a reduzir custos, o resultado acabará sendo aumento na rentabilidade e, em conseqüência, estímulo à produção.

Plano agrícola

O governo federal lançou hoje o Plano Agrícola e Pecuário 2008/09, que deve destinar R$ 78 bilhões para empresas agrícolas e para a agricultura familiar. A expectativa do governo é de que o aumento da oferta de crédito, do seguro rural e a manutenção da taxa anual de juros em 6,75% aumentem a produção brasileira de grãos em 5% na safra 2008/2009.

Além disso, com o objetivo de regular os preços agrícolas, evitando baixa no momento de entrada de safra e alta na entressafra - um fator que tem impulsionado a inflação -, o governo Lula definiu no Plano Safra que elevará os atuais estoques públicos em cerca de 300% até 2009.

"A proposta é de que os estoques públicos passem de 1,5 milhão de toneladas em 2008 para 6 milhões de toneladas, montante superior inclusive aos estoques de 2006 (4 milhões de toneladas)...", afirmou o Ministério da Agricultura no Plano Safra 2008/09.

Com informações da Reuters e da Agência Estado

Leia mais sobre Plano Safras

Leia tudo sobre: agriculturaplano safras

Notícias Relacionadas


Mais destaques

Destaques da home iG