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SÃO PAULO - O plano de resgate da indústria automobilística dos Estados Unidos fracassou no Senado do país após ser aprovado na Câmara. O senador Harry Reid, líder da maioria democrata na Casa, sugeriu que a proposta que concede US$ 14 bilhões em empréstimos ao setor não deve ser retomada até janeiro.

As conversas, que pareciam perto de um acordo por diversas vezes, foram interrompidas em razão de uma forte disputa partidária sobre os salários pagos aos trabalhadores nas montadoras. "Trabalhamos e trabalhamos e podemos passar discutindo a noite toda, amanhã, sábado, domingo e não teremos o desfecho. Existem muitas diferenças entre os dois lados", comentou Reid sobre a divisão partidária quanto a ajuda às montadoras.

Com a maioria de apenas um voto no Senado, os democratas precisavam do apoio de alguns republicanos para o projeto passar na Casa. Alguns democratas, no entanto, se mostravam contrários ao plano.

O fracasso no Congresso de prover uma linha financeira para a General Motors (GM) e Chrysler, que diziam precisar da ajuda federal para continuar operando, representa uma perda para o presidente americano George W. Bush, que está nas últimas semanas de seu mandato. Também implica uma situação difícil para o presidente eleito Barack Obama, que no início da quinta-feira pediu uma ação do Congresso contra a perda de empregos em uma já debilitada economia.

Em nota, a GM se manifestou "profundamente desapontada" de não ter sido possível um acordo e acrescentou que "avaliará todas as opções para continuar com a reestruturação e obter os meios para lidar com a crise econômica atual". A Ford, que também estava interessada no socorro, avisou que talvez precisasse dos recursos no futuro.

Na Casa Branca, o porta-voz Tony Fratto expressou o desapontamento com o fracasso do plano no Senado. Ele comentou que ainda não há uma decisão tomada, mas o governo irá analisar as opções.

"É desapontador que o Congresso falhou em agir. Acreditamos que a legislação que negociamos apresentava a melhor possibilidade de evitar uma quebra desordenada e garantia ao mesmo tempo que os recursos dos contribuintes para empresas cujos acionistas estivessem preparados para tomar decisões difíceis para torná-las viáveis. Avaliaremos nossas opções à luz do fracasso no Congresso", declarou Fratto.

A presidente da Câmara dos EUA, Nancy Pelosi, e outros legisladores pediram que o governo se valha do fundo de estabilização do sistema financeiro do Tesouro para ajudar as montadoras, mas parece que não há dinheiro suficiente restante para fazer isso.

O jornal New York Times (NYT) reportou que restam cerca de US$ 15 bilhões dos US$ 350 bilhões desembolsados e representantes do Tesouro avisaram que esses recursos são necessários para os programas existentes.

(Juliana Cardoso | Valor Online, com agências internacionais)