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Plano de resgate alivia economia mas abre novo rombo no orçamento americano

Paco G. Paz.

EFE |

Washington, 3 out (EFE).- A Câmara dos Representantes (Baixa) dos Estados Unidos aprovou hoje finalmente a versão ampliada do plano de resgate financeiro, um pacote que, avaliado em US$ 1 trilhão, dará um respiro à economia, mas também novos golpes ao já combalido déficit fiscal americano.

O texto aprovado hoje e assinado imediatamente pelo presidente George W. Bush está muito distante do apresentado pelo Tesouro americano ao Congresso há duas semanas, no qual só havia pedido de autorização para comprar "papéis podres" dos bancos por US$ 700 bilhões.

A proposta, inaceitável para muitos por seu caráter intervencionista e seu montante exagerado, colocou os legisladores para trabalhar, em uma tentativa de que o plano respaldasse também o cidadão de classe média, atingido pela crise imobiliária e o desemprego.

Em uma primeira minuta foram acrescentados ao texto limites aos salários dos executivos do setor bancário e intensas medidas de controle sobre o pacote. A Câmara de Representantes rejeitou o projeto na última segunda-feira, em uma ação inesperada que derrubou as Bolsas.

O plano final, com mais de 451 páginas, é um compêndio de medidas díspares, que abordam desde a cobertura de doenças mentais até incentivos para a produção de energias renováveis.

A isso se unem projetos de investimento que, mais que favorecer o cidadão de classe média, buscavam "comprar" o voto "sim" dos congressistas.

O esforço valeu a pena, e o projeto de lei passou pelo crivo dos legisladores, muitos dos quais tinham votado "contra" antes pressionados por centenas de e-mails e telefonemas de eleitores irados em seus respectivos estados e distritos.

Mas a vitória não é gratuita. O custo do plano de resgate superará amplamente os US$ 700 bilhões solicitados pelo secretário do Tesouro, Henry Paulson, no último dia 20.

Só os benefícios fiscais que o pacote promete aos pequenos empresários e à classe média trabalhadora responderão por outros US$ 100 bilhões, aos quais se unirão outras centenas de medidas ainda não quantificadas.

As queixas não se fizeram esperar, e os democratas mais conservadores do ponto de vista fiscal, conhecidos como "blue dogs" (cachorros azuis, em português), já reclamam de um pacote que aumentará o déficit fiscal do país.

No exercício fiscal que terminou no último dia 30, o Governo calcula que o déficit ficará entre US$ 400 bilhões e US$ 410 bilhões. Para o atual ano fiscal se estimava, antes da aprovação do plano de resgate, US$ 490 bilhões, um número sem precedentes.

Apesar desses inconvenientes, os legisladores apostaram por um plano que deve permitir o descongelamento das concessões de crédito e, portanto, reativar a economia, que parece dedicada à recessão, segundo advertiu nesta quinta o Fundo Monetário Internacional (FMI).

A concessão de crédito está praticamente suspensa porque os bancos, que já acumulam dívidas pela crise hipotecária, não querem assumir mais riscos com seus clientes. Não são mais capazes também de se endividar no mercado interbancário, no qual entidades financeiras emprestam dinheiro umas às outras.

Mas o plano de resgate deixa muitas dúvidas, e são muitas as vozes que asseguram que não é o remédio certo para a maior economia do mundo.

"O plano de Paulson não tem muito sentido para mim", afirmava esta semana à "CNN" a diretora da gerenciadora de fundos Oppenheimer, Meredith Whiney, que assegurava que o problema dos bancos "não são os ativos de má qualidade que o Tesouro pretende comprar, e sim a falta de confiança existente". EFE pgp/fr

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