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O presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, fez ontem um apelo dramático ao Congresso para que aprove o mais rápido possível o plano de estímulo econômico de cerca de US$ 800 bilhões com que pretende iniciar o seu mandato. Esse deve ser o momento de líderes de ambos os partidos colocarem as necessidades urgentes da nossa nação acima dos nossos próprios interesses estreitos, ele disse, em discurso sobre seus planos econômicos na Universidade George Mason, na Virgínia.

Obama exortou o Congresso a se mover "o mais rápido possível", e que trabalhasse com ele e sua equipe "dia e noite, nos fins de semana se for necessário, para fazer com que o plano seja aprovado em poucas semanas". Ele alertou contra o risco de se "perder uma geração de potencial e promessa, à medida que jovens americanos sejam obrigados a renunciar ao sonho da universidade, ou a chance de treinarem para os empregos do futuro".

O chamado Plano Americano de Recuperação e Reinvestimento inclui investimentos em infraestrutura, gastos sociais, ajuda a Estados e cortes de impostos, entre os quais o de US$ 1 mil para 95% das famílias de trabalhadores em 2009. No discurso, Obama declarou que a crise "não parece com nada que tenhamos visto ao longo das nossas vidas, e só se aprofundou nas últimas semanas".

"Não acredito que seja tarde demais para mudar de curso, mas será se nós não tomarmos ações dramáticas tão cedo quanto possível", avisou, acrescentando que, se nada for feito, "essa recessão pode se estender por anos, a taxa de desemprego pode atingir dois dígitos e nossa economia pode ficar US$ 1 trilhão abaixo da sua capacidade total". Ele lembrou que 2 milhões de empregos foram perdidos em 2008, a maior queda desde a Segunda Guerra. "Resumidamente, uma situação dramática pode se tornar muito pior."

Para Obama, apenas a ação do Estado pode reativar a economia: "Apenas o governo pode romper o ciclo que está aleijando a nossa economia". Esse ciclo, disse, é aquele no qual o desemprego e a queda do consumo se realimentam, assim como a paralisação do crédito e a freada da economia.

Obama jogou a culpa pela crise, de forma muito dura, em cima dos excessos de Wall Street e da inação dos políticos: "Nós chegamos a esse ponto por causa de uma era de profunda irresponsabilidade, que se estendeu dos conselhos das empresas aos halls do poder em Washington DC." Obama lembrou ainda da irresponsabilidade com que o crédito foi concedido nos EUA nos últimos anos, tanto da parte dos bancos como dos tomadores.

Para ele, o resultado da crise foi "uma perda de confiança devastadora" na economia, no sistema financeiro e no governo. "Se nós temos esperança de acabar com esta crise, temos de acabar com a cultura de vale-tudo que ajudou a criá-la, e essa mudança tem de começar em Washington." Obama antecipou que seu plano vai aumentar o déficit no curto prazo, mas frisou que a consequência de não agir é "levar a um déficit ainda maior de emprego, renda e confiança na economia". No médio e longo prazo, porém, Obama defendeu que é preciso "colocar a casa fiscal em ordem".