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Plano de ação coordenda do G20 só deve sair em 2009

Por Renato Andrade SÃO PAULO (Reuters) - Ministros de Finanças e presidentes de bancos centrais das 20 maiores economias do mundo conseguiram chegar a uma posição comum neste fim de semana sobre a melhor forma de enfrentar a atual crise financeira: problemas globais precisam de respostas mundiais coordenadas. Mas o cronograma de ações só deve ser conhecido no início do próximo ano.

Reuters |

Depois de três dias de reuniões em São Paulo, os líderes financeiros de países como Brasil, China, Estados Unidos e da União Européia foram unânimes ao defender que "uma crise global requer soluções globais e um conjunto comum de princípios", mas o anfitrião do encontro --o ministro da Fazenda Guido Mantega-- deixou claro que o plano de ação poderá levar até três meses para ser efetivamente estabelecido.

No comunicado oficial, os líderes enfatizaram a importância de se implementar uma ampla reforma das instituições criadas durante o encontro de Bretton Woods, no final da Segunda Guerra Mundial, para garantir maior "legitimidade e eficiência" destes organismos internacionais no sistema financeiro global.

Mas Mantega reconheceu que medidas mais pontuais terão que ser tomadas no curto prazo, já que a ambiciosa reforma defendida pelos representantes financeiros do chamado G20 levará um bom tempo.

"A crise financeira internacional não pode esperar a reforma do sistema para ter soluções. As soluções têm que ser muito mais rápidas... um novo Bretton Woods demora mais tempo", disse o ministro, durante entrevista coletiva no encerramento do encontro.

"Vamos ter que trocar a roda do carro com o carro em movimento", resumiu.

PREPARANDO A AGENDA

O encontro deste fim de semana acabou servindo para que os ministros e presidentes de bancos centrais estabelecessem as bases para o encontro de chefes de Estado do G20 que acontecerá no próximo fim de semana, em Washington, nos Estados Unidos.

Mantega fez questão de enfatizar, porém, que propostas concretas para debelar a crise só deverão ser conhecidas no início do próximo ano.

"O que deve ser levado ao summit da próxima semana são sugestões, indicações, e de lá deve sair uma pauta concreta para que essas questões sejam aprofundadas, para em um, dois ou três meses termos uma agenda com um cronograma que vai apresentar soluções concretas", disse o ministro.

Outro resultado do encontro foi o fortalecimento da idéia de que o G20 precisa ter um papel mais ativo no processo decisório das finanças internacionais, que atualmente se concentra no grupo dos sete países mais industrializados, o

G7.

"Concordamos que o G20 tem um papel vital em responder os desafios que a economia mundial enfrenta e deve maximizar sua efetividade", disseram os ministros no comunicado.

Brasil, Rússia, China e Índia, que formam o chamado grupo dos Bric, também conseguiram realizar sua primeira reunião formal, e defenderam, em uníssono, a reforma de instituições como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial.

No domingo, Mantega afirmou que uma reestruturação destes organismos pode ser um caminho mais rápido para iniciar o processo de redesenho da arquitetura financeira global.

"Não é necessário criar novas instituições, podemos transformar as instituições que já temos, é um caminho mais rápido, transformar o G20 em uma instituição mais forte, depois o FMI, o Banco Mundial e o FSF (Financial Stability Forum)", afirmou.

ESTÍMULO FISCAL

A adoção de políticas fiscal e monetária mais flexíveis também foi defendida pelos membros do G20, mas os presidentes de bancos centrais presentes fizeram questão de frisar que estas medidas não podem comprometer a estabilidade da inflação em cada país.

O pacote anunciado pelo governo chinês no domingo foi bastante comemorado por Mantega e pelo diretor-gerente do FMI, Dominique Strauss-Khan.

"Estou bastante satisfeito em ver a decisão que foi tomada pelos chineses. É um pacote enorme. Este terá influência não apenas na economia mundial, dando suporte à demanda, mas também uma grande influência na economia da própria China", disse Strauss-Khan à Reuters.

Os principais bancos centrais do mundo fizeram um corte coordenado de juro no início de outubro, seguido por outras reduções na sequência. No Brasil, entretanto, o BC apenas interrompeu o ciclo de aperto do juro e mostrou que se a alta dos preços persistir, o aumento da Selic será retomado.

Para os ministros do G20, o quadro traçado para 2009 é de uma desaceleração da atividade econômica, que deve forçar uma queda dos preços.

"O perigo maior é de uma deflação e não de uma inflação maior", disse Mantega.

No quadro local, porém, Mantega preferiu sair pela tangente: "Aqui no Brasil, as autoridades monetárias saberão regular a política de juros para enfrentar este novo cenário".

(Reportagem adicional de Anna Willard e Louise Egan)

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