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Planejar 1º trimestre está difícil para montadoras, diz Miguel Jorge

SÃO PAULO - O ministro do Desenvolvimento, Miguel Jorge, disse hoje que há setores com dificuldades de planejamento de produção para o primeiro trimestre deste ano, mas não vê problemas de grande porte até agora. Na avaliação dele, o emprego pode ser ameaçado pela incerteza do momento e por decisões já tomadas como a da Vale, anunciada anteontem.

Valor Online |

"Para a indústria automobilística, que puxa uma cadeia longa, está sendo difícil fazer as projeções de produção para o primeiro trimestre, que são feitas com antecedência. Isso dificulta, por exemplo, encomendas de peças aos fornecedores, que por sua vez têm dificuldades para encomendar matérias primas", explica.

Mesmo com o setor automobilístico tendo apresentado queda na produção em novembro e anunciado férias coletivas maciças como não se via há muito tempo, Miguel Jorge vê nisso um ajuste. Segundo ele, o crescimento de 25% da indústria automotiva visto antes da crise estava se mostrando "insustentável" ao exigir turno de 3 horas em sete dias por semana.

"Se (o setor automotivo) crescer 10% (em 2009) será muito bom comparado ao resto do mundo. Na construção civil a mesma coisa" afirma. O ministro menciona o estado de apelo do setor nos Estados Unidos, que há meses vem pedindo socorro. "A situação é totalmente diferente (daqui)."
Aliás, ele diz que um eventual socorro financeiro às matrizes do setor automotivo americano não deve ter nenhum reflexo para a operação brasileira. "Não interfere em nada. As multinacionais no Brasil tem desempenho muito positivo em faturamento e lucratividade. A unidade brasileira é certamente a mais lucrativa da GM no mundo todo", disse o ministro, citando o caso específico da maior montadora dos EUA, que pede US$ 4 bilhões imediatos para não ter que entrar em concordata.

Nem mesmo a remessa dos lucros da unidade brasileira para os EUA teria, segundo ele, efeito no mercado local no sentido de diminuir o capital disponível para investimentos. "Os maiores investimentos, que são da Toyota, em Sorocaba, e da Hyundai, em Piracicaba, foram confirmados", destacou.

Questionado sobre as condições de emprego na economia no futuro próximo e sobre a decisão de corte anunciada pela Vale nesta semana, o ministro disse que não considera "forte" a redução de postos anunciada pela companhia no Brasil. Ao todo, serão dispensados 1,3 mil funcionários. Ele admite, entretanto, que tal decisão pode influenciar empresas que estão inseguras em relação ao peso da folha de pagamento em um cenário de incertezas no primeiro trimestre de 2009.

Em discurso feito durante almoço da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), em São Paulo, Miguel jorge frisou que manter renda e emprego em níveis elevados é o que poderá sustentar a demanda interna num momento de recessão nos países desenvolvidos.

Ele afirmou ainda que investimentos em aumento de capacidade de setores exportadores podem ser afetados pela recessão que deve atingir destinos importantes dos produtos brasileiros. Além disso, embora a alta do dólar possa ter impacto positivo para os exportadores, o ministro lembra que esse benefício pode ser anulado pela redução da demanda internacional e pelo recuo de preços de commodities.

Assim como o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, que discursou pouco antes dele, Miguel Jorge também disse acreditar que a desaceleração da atividade no Brasil será mais suave do que em outras economias.

Para o ministro, o crescimento de 4% que vem sendo previsto pelo ministério da Fazenda é "otimista". Ele diz acreditar mais em 3%, mas ressalva que previsões neste momento são feitas apenas com "intuição".

(Bianca Ribeiro | Valor Online)

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