Após o Conselho de Segurança das Nações Unidas anunciar, na quarta-feira, a decisão de impor novas sanções ao Irã, o Planalto lamentou, especialmente, o voto de países pobres e emergentes que receberam tratamento especial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas seguiram a linha de americanos e europeus. Cautelosa, a equipe de Lula ainda considera cedo para fazer avaliações sobre o processo da crise do programa nuclear iraniano, mas considerou que a posição brasileira e turca de defender o diálogo com Teerã ajudou a amenizar as sanções e obrigou a secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, a reduzir o tom de suas declarações.

Após o Conselho de Segurança das Nações Unidas anunciar, na quarta-feira, a decisão de impor novas sanções ao Irã, o Planalto lamentou, especialmente, o voto de países pobres e emergentes que receberam tratamento especial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas seguiram a linha de americanos e europeus. Cautelosa, a equipe de Lula ainda considera cedo para fazer avaliações sobre o processo da crise do programa nuclear iraniano, mas considerou que a posição brasileira e turca de defender o diálogo com Teerã ajudou a amenizar as sanções e obrigou a secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, a reduzir o tom de suas declarações. Entre os países que votaram a favor das sanções estão os africanos Gabão e Nigéria - dois dos sete países que têm assento temporário no Conselho. Ditador no Gabão. Lula visitou os dois países, perdoou dívidas, firmou convênios em saúde e agricultura e concedeu incentivos para a indústria local. A equipe de Lula avalia que a decisão do Gabão, Nigéria, México e Uganda de votar pelas sanções são compreensíveis num "mercado de votos". O Líbano, membro temporário, absteve-se. Na avaliação do Planalto, o esforço de Lula em viajar pela África não poderia ser recompensado numa votação como a de anteontem. Em 2004, Lula desgastou sua imagem num desfile em carro aberto com o então ditador do Gabão, Omar Bongo. O Brasil ainda perdoou uma dívida de US$ 36 milhões do país. Em relação à Nigéria, nação visitada pelo presidente Lula em 2006, a dívida perdoada chegou a US$ 67,3 milhões. Assessores do governo dizem que o placar folgado a favor dos EUA - 12 votaram pelas sanções - ocorreu porque países com boa relação com o Irã, como a China, grande importadora do petróleo iraniano, avaliaram que as medidas não teriam grande impacto prático. Por isso, ficariam mais livres para atender às pressões econômicas dos americanos. Mas os assessores do Planalto dizem acreditar que um placar mais favorável ao Brasil e à Turquia ilustraria a "nova realidade" no debate internacional, em que os dois países passaram a ter presença garantida. A equipe de Lula também não esconde que um outro placar poderia dar mais gás ao Planalto para rebater as críticas à política de aproximação com a África e o mundo árabe. Um dos assessores diz que todas as viagens do presidente ao continente africano foram feitas em outro contexto e não tiveram como objetivo socorrer o Irã.

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