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Planalto defende Gilberto Carvalho e Tarso Genro no caso Dantas

BRASÍLIA - A reunião da coordenação política de governo, realizada ontem, serviu para blindar o chefe de gabinete da presidência, Gilberto Carvalho e o ministro da Justiça, Tarso Genro. Carvalho, que foi flagrado em um grampo da Polícia Federal conversando com o ex-deputado Luiz Eduardo Greenhalgh, advogado do banqueiro Daniel Dantas, divulgou nota negando ter contactado a Polícia Federal ou o Ministério da Justiça em busca de informações sobre a ação contra o banqueiro Daniel Dantas. Já Genro, que trava um bate-boca com o presidente do STF, Gilmar Mendes, ouviu uma crítica firme de Lula quanto à Operação. Por que usar algemas se os envolvidos têm endereço certo e estão dispostos a prestar esclarecimentos? Por que humilhar assim uma pessoa que não tem culpa comprovada? , criticou Lula.

Valor Online |

A nota de Carvalho foi distribuída no mesmo horário em que a reunião de coordenação acontecia, no gabinete presidencial. No documento, Carvalho admite que foi procurado por Greenhalgh, que teria lhe dito que um de seus clientes, Humberto Braz (que se entregou ontem à PF), tinha sido seguido por um homem que se identificara como tenente da Polícia Militar à serviço da Presidência da República.

O chefe de gabinete afirma que sua participação no episódio limitou-se a esse questionamento. Procurei o Gabinete de Segurança Institucional e fui informado que o referido tenente estava credenciado pelo GSI, mas o trabalho que realizava nada tinha a ver com o cidadão citado , prossegue Gilberto. Ele informou aos demais ministros que soltara a nota. O Gilberto não fez nada de errado. Ele apenas buscou informações específicas solicitadas por um amigo pessoal , justificou um dos ministros presentes.

Quanto a Greenhalgh - que foi advogado de Lula durante o governo militar e concorreu à presidência da Câmara em 2005 - o Planalto diz que não se manifesta. Ele é advogado e pode trabalhar com os clientes que desejar , afirmou um ministro. Na semana passada, o petista ligou para Genro cobrando explicações e, segundo o ministro, teria criticado a exposição de seu nome na operação da PF.

O ministro da Justiça detalhou aos demais ministros a Operação Santiagraha. Ouviu do presidente que a Polícia Federal deve continuar com seu trabalho . Além da questão das algemas, Lula e Genro admitiram que o vazamento da operação para a imprensa também está computado entre os deslizes cometidos pelos federais comandados pelo delegado Protógenes Queiroz. Mesmo assim, a avaliação geral é de que a Operação foi exitosa e gerará um relatório com informações suficientes para que o Ministério Público possa acionar os envolvidos na Justiça.

O Planalto teve o cuidado de não comentar a briga do ministro da Justiça com o presidente do STF. Não vamos alimentar esse tipo de divergência , assegurou um auxiliar do presidente. Em relação às críticas feitas a Mendes por procuradores e juízes federais, a análise é de que o Judiciário deve resolver suas próprias questões .

O presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), afirmou ontem que um eventual pedido de impeachment do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes - que estaria sendo preparado por procuradores da República -, não teria chance de prosperar naquela Casa legislativa, responsável por processar e julgar ministros do STF nos crimes de responsabilidade (artigo 52 da Constituição). O Senado é realmente competente para receber o pedido, mas acho difícil prosperar, porque o que está sendo discutido, no caso do presidente do Supremo, é uma decisão judicial. Não é nenhum crime , afirmou Garibaldi.

(Paulo de Tarso Lyra | Valor Econômico. Colaborou Raquel Ulhôa)

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