As projeções dos juros a partir dos contratos futuros de depósitos interfinanceiros (DIs) não mostraram fechamento uniforme hoje na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), em que pesaram sobre o mercado, sobretudo, a reação ao placar da decisão sobre o aumento da taxa Selic pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central ontem à noite e a aversão dos investidores à tomada de posições de risco no mercado de câmbio doméstico. A Selic é a taxa básica de juros da economia brasileira e o comitê de diretores do BC decidiu ontem pelo quarto aumento seguido dos juros.

Nos contratos futuros de DI de curto prazo (vencimento até janeiro de 2009), as taxas subiram, em ajuste à nova taxa Selic, de 13,75% ao ano (aumento de 0,75 ponto porcentual), visto que alguns investidores, ainda que poucos, estavam com a aposta de que a taxa básica subiria 0,5 ponto. O DI com vencimento em janeiro de 2009 (95.050 contratos negociados hoje) fechou com taxa projetada de 14,02% ao ano, de 13,97% ontem.

A projeção de juro do DI de janeiro de 2010, que reflete as expectativas para a política monetária no próximo ano, recuou de 14,71% para 14,64% ao ano, com negociação expressiva de 405.240 contratos. O volume e a queda da taxa decorrem, segundo operadores, da votação sem consenso na decisão do Copom, em que três dos oito diretores do BC defenderam uma alta da taxa básica, de 0,5 ponto. "O comportamento deste vencimento reflete o placar apertado e a percepção de que o ciclo de aperto monetário será mais curto", disse um operador, lembrando que o mercado estava posicionado para uma decisão unânime do Copom.

Já as projeções das taxas dos contratos com vencimento a partir de 2011 subiram, bastante influenciadas pela aversão ao risco que disparou o dólar. O DI de janeiro de 2012 (184.145 contratos negociados) fechou em 14,14% ao ano, de 14,04% ontem. O dólar comercial fechou em alta de 1,68% a R$ 1,815, mas na máxima do dia chegou a ser negociado a R$ 1,837.

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