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Pirataria cai 38% no Brasil, mas cresce 9% em São Paulo

Uma pesquisa sobre o impacto da pirataria no Brasil mostra que houve redução de 38% na venda de tênis, roupas e brinquedos falsificados neste ano, em relação a 2007, quando havia sido registrado aumento de 8% nesse comércio. Mas em São Paulo e Belo Horizonte, onde o levantamento avaliou também a venda de outros sete produtos, houve crescimento de 9% e 46%, respectivamente.

Agência Estado |

O trabalho, feito pelo Ibope por encomenda da Câmara de Comércio dos Estados Unidos e do Conselho Empresarial Brasil-Estados Unidos, também traça pela primeira vez o perfil de quem consome produtos piratas. A estimativa é de que a indústria tenha perdido com pirataria R$ 46,5 bilhões em 2008.

"Lugares no Brasil em que não há parceria estruturada, com inteligência, entre iniciativa privada e polícias, a pirataria cresce assustadoramente. Em Belo Horizonte, onde a gente não acompanha apreensões, a pirataria cresceu 46%", afirmou Solange Mata Machado, representante da Câmara de Comércio. No Rio, terceira capital estudada, registrou-se redução de 35%.

A queda mais acentuada no consumo de piratas em todo o País deu-se no ramo de brinquedos. O número de pessoas que compraram esse tipo de produto caiu de 199.107 para 88.017 (-46%). Solange aponta três fatores para essa redução: diminuição da oferta, por causa do trabalho de repressão da Receita Federal; a desvalorização cambial - se o produto original tem preço próximo do produto pirata não há estímulo para o consumidor comprar algo falsificado; e a logística de distribuição. "A empresa líder no mercado de brinquedo tem feito distribuição aberta e ampla no mercado brasileiro. Com isso, lugares que nunca foram atendidos com brinquedos originais agora recebem a mercadoria."

Ela acredita que a crise financeira mundial possa aumentar a entrada de produtos piratas no Brasil e defendeu a intensificação das apreensões. "A crise é séria, mas o que terá mais impacto sobre a indústria é essa Lei dos Sacoleiros (em discussão no Senado, esta semana), que cria taxa única para o livre trânsito nas fronteiras e vai aumentar em muito a entrada de produtos piratas. Isso é um dano direto para a indústria brasileira", queixou-se.

Segundo a representante, depois de três pesquisas acompanhando o sobe e desce da pirataria, o quarto trabalho foi dedicado a identificar o perfil de quem compra esse tipo de produto. "Vimos avanços no combate à pirataria no Brasil e agora precisamos trabalhar não só do lado da oferta, mas iniciar um processo de conscientização da população para diminuir a demanda. E já conseguimos identificar mudanças de hábitos de consumo", afirma.

Uma delas diz respeito à freqüência com que o consumidor costuma comprar falsificações. Em 2007, 24% responderam "nunca". Em 2008, essa foi a resposta de 34% dos entrevistados. Entre os que disseram que compram piratas, os pesquisadores conseguiram identificar dois grupos - o convicto e o eventual. Se o primeiro não se importa com as conseqüências das suas compras, o segundo não compraria acessórios piratas se soubesse que financia o crime organizado (72%), se houvesse vínculo com o tráfico (88%) ou ainda se esses produtos causassem danos à saúde (90%). As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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