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Piñera assume no Chile hoje com cenário de PIB menor e inflação maior

SANTIAGO - O bilionário Sebastián Piñera, 60, toma posse hoje como presidente do Chile em um cenário muito menos favorável do que previam economistas, devido ao impacto do terremoto que atingiu o país em 27 de fevereiro. Agora, analistas esperam um crescimento econômico abaixo de 5% e um repique inflacionário.

Valor Online |

Analistas consultados em pesquisa do Banco Central do Chile reduziram a previsão de crescimento da economia do país para 2,9%, no primeiro trimestre, e para 4,5%, em 2010. No mês passado, a mesma sondagem do BC chilena tinha apontado previsão de expansão de 4,5% do Produto Interno Bruto (PIB) neste primeiro trimestre e de 4,9% em 2010.

Os economistas também elevaram a estimativa para a inflação este ano, para 3,5%, ante uma projeção anterior de 2,7%.

Alguns analistas, porém, dizem que o terremoto poderá cortar até 2 pontos percentuais das projeções iniciais, com a maior parte do dano se concentrando na primeira metade deste ano.

Para Leonardo Suárez, da corretora LarrainVial, " o impacto agregado bruto do terremoto gerará uma perda de 1,6 ponto no crescimento do PIB, mas o incremento vindo das obras de reconstrução reduzirá a perda a apenas 0,4 ponto percentual " . Suárez se diz otimista, em comparacão a outros economistas e analistas importantes do país. Ele acha que o Chile pode alcançar o crescimento de 5% no ano.

Jorge Selaive, do grupo financeiro BCI, crê em uma expansão menor, de 4,5%. " Sentiremos muito o terremoto, principalmente nos próximos meses. " Alguns setores da economia se mostram fragilizados e necessitarão de atenção especial do governo, afirmou. A indústria, por exemplo, deve registrar uma queda de até 8% na produção nos próximos dois meses. " Isso é terrível, se levarmos em conta a recuperação que vinha ocorrendo no início do ano no setor. "
Para os dois economistas, o primeiro ano de Piñera na Presidência terminará com um déficit fiscal entre 2,2% e 4% do PIB.

Nesse cenário, Piñera já anunciou que revisará o Orçamento de 2010, para " adequá-lo à nova realidade do Chile " . Espera-se que ele anuncie a relocação de recursos antes destinados ao norte do país para a parte centro-sul, a mais afetada pelo terremoto.

Os prejuízos causados pelo tremor ainda estão sendo avaliados. Muitas indústrias, por exemplo, ainda não sabem se conseguirão reparar instalações afetadas ou se terão de substituí-las, o que poderá elevar o custo e causar tempo de paralisação maior.

A empresa suíça de resseguro Swiss Re informou que o terremoto no Chile vai custar ao setor de seguros entre US$ 4 bilhões e US$ 7 bilhões, a mesma estimativa feita pela alemã Munich Re.

A Swiss Re disse que é comum que proprietários chilenos comprem seguros contra terremotos, o que significa que haverá grande quantidade de pessoas pedindo o recebimento das apólices relativas a perdas materiais e a interrupções nos negócios.

" O terremoto trará consigo importantes demandas de compensação, pelos danos sofridos pelos edifícios e pela a interrupção da atividade. Mas isso permitirá também uma rápida recuperação econômica " , disse a Swiss Re. A empresa calcula que terá de pagar sozinha cerca de US$ 500 milhões.

Segundo as seguradoras internacionais, o Chile é o quinto país do mundo com maior exposição a perdas econômicas com terremotos: 25% do PIB chileno está exposto, segundo o Informe de Avaliação Global sobre a Redução de Riscos de Desastres 2009.

Piñera receberá o comando do país da presidente Michelle Bachelet em solenidade marcada para as 12h, na sede do Congresso, em Valparaíso, 120 km a oeste de Santiago. E, em sua primeira atividade oficial como presidente, viajará à cidade litorânea de Constitución, a mais afetada pela tragédia.

Seu governo será o primeiro de direita desde o final da ditadura de Augusto Pinochet (1973-90), depois dos 20 anos em que governou sem interrupção a Concertación, uma coalizão de quatro partidos de centro-esquerda.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva cancelou sua ida à posse. Segundo o governo brasileiro, diante das dificuldades logísticas no país, as autoridades chilenas deixaram os convidados à vontade para não comparecer. Os presidentes de Peru, Colômbia, Uruguai, Argentina e Bolívia confirmaram presença.

(Rodrigo Uchoa | Valor)

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