Enquanto o mercado aguarda os dados oficiais sobre o Produto Interno Bruto (PIB), que serão divulgados nesta quinta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o banco Itaú-Unibanco divulgou os dados do PIBIU (PIB Itaú-Unibanco), que apontou crescimento de 2% no último trimestre do ano. Trata-se do melhor resultado trimestral desde os últimos três meses de 2007. No terceiro trimestre, o PIBIU teve alta de 1,3%.

No entanto, o resultado do quarto trimestre do ano passado não impediu com que a economia encerrasse 2009 no vermelho. Segundo o Itaú-Unibanco, o PIB do País recuou 0,2% no acumulado do ano passado.

Fechamos o ano passado com um crescimento mais forte. Mas é um ritmo que não deve se sustentar. Devemos fechar 2010 com crescimento de 6% e desacelerar para 4,9% no ano que vem, disse Ilan Goldfajn, economista-chefe do banco, em teleconferência com jornalistas nesta terça-feira.

Segundo Goldfajn, ritmo de crescimento da economia no ano passado ¿ foram oito meses de alta e quatro de queda ¿ é explicado pela recessão forte do fim de 2008 e por uma série de estímulos econômicos. 

Com o resultado do último trimestre, a economia voltou a superar o pico pré-crise. Isso já tinha acontecido em novembro e dezembro confirmou isso. Estamos 0,6 ponto percentual acima do que estávamos em setembro de 2008, afirmou Aurélio Bicalho, economista do banco.

De acordo com Bicalho, a indústria teve a maior alta do trimestre, com 2,5%, repetindo taxas elevadas que já se verificam desde o segundo trimestre do ano passado. O setor de serviços teve expansão menor: de 0,8%, contra 1,6% do trimestre anterior. A agropecuária, por sua vez, segue com retração, fechando o trimestre com queda de 0,4%.

Do lado da demanda, o destaque foi a formação bruta de capital fixo, com crescimento de 7,1%. Isso torna o crescimento econômico mais sólido no médio e longo prazos, completou Bicalho. O consumo das famílias cresceu 1,4% no período, enquanto os gastos do governo avançaram 1,2%.

Regiões

Pela primeira vez, o Itaú-Unibanco divulgou o PIB regional, que apontou crescimento homogêneo no Brasil. Todas as regiões tiveram taxas elevadas de crescimento, apontou Aurélio Bicalho.

Em São Paulo, o PIB cresceu 2,1% no quarto trimestre, enquanto no Rio de Janeiro, a alta foi de 1,8%. Minas Gerais saltou 1,9% e a houve alta de 2,1% no Rio Grande do Sul. No Nordeste, a expansão econômica foi de 1,8%.

Outras regiões, como Amazonas, Pará e Goiás tiveram desaceleração, refletindo o desempenho da produção industrial e das vendas do varejo. Mas o emprego teve alta em todas as regiões entre o quarto e o terceiro trimestres, concluiu o economista do Itaú-Unibanco.

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