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PIB dos EUA tem maior queda trimestral em 26 anos

Paco G.Paz.

EFE |

Washington, 30 jan (EFE).- A economia dos Estados Unidos sofreu no ultimo trimestre de 2008 uma contração de 3,8% que, apesar de ser a maior dos últimos 26 anos, ainda foi menor do que previam os analistas.

No conjunto do ano, o Produto Interno Bruto americano ainda cresceu 1,3%, informou hoje o Departamento de Comércio dos EUA.

Desde o primeiro trimestre de 1982, quando o Federal Reserve (Fed, Banco Central americano) determinou cota aos empréstimos bancários para frear a inflação, a economia americana não sofria uma queda tão pronunciada - naquela ocasião, a perda foi de 6,4%.

Apesar de tecnicamente serem necessários três trimestres de queda para que haja uma recessão, o Escritório Nacional de Economistas dos EUA opinou recentemente que este fenômeno começou em dezembro de 2007, devido à deterioração de vários indicadores, como do emprego.

Os analistas haviam previsto um retrocesso de 5,1%, para o ultimo trimestre, diante da constância da crise financeira e da queda no consumo.

Se isto não ocorreu, segundo os analistas, foi pela acumulação dos estoques das empresas, que não cancelaram os pedidos, apesar da queda nas compras pelos consumidores.

De fato, as vendas finais, indicador que se calcula subtraindo os estoques do PIB, caíram 5,1% no ultimo trimestre.

De outubro a dezembro de 2008, os estoques forneceram 1,3 ponto ao PIB, algo que já não ocorrerá no primeiro trimestre de 2009, quando se espera novamente uma contração superior a 5%.

Os americanos, que durante uma década se acostumaram a usar o cartão e outras formas de crédito para financiar seus níveis de vida, gastaram no último trimestre 3,5% a menos do que no ano anterior. No terceiro trimestre a queda foi de 3,8%.

Além disso, as empresas reduziram seus investimentos em maquinaria e equipamento e outros bens de capital em 19,1%, com o único objetivo de reduzir seus custos.

O comércio exterior também foi afetado pela crise. Os americanos adquiriram menos bens e serviços do exterior, o que fez com que as importações caíssem 15,7%.

A queda do consumo não ocorreu só no mercado interno, mas também no exterior, diminuindo as exportações em 19,7%.

Outros fatores que contribuíram para derrubar o PIB foram as devoluções de impostos que o Governo fez chegar a mais de 130 milhões de contribuintes em meados de ano passado, o que lhe custou o desembolso de cerca de US$ 168 bilhões.

No entanto, os números divulgados hoje encorajam o debate sobre a necessidade de lançar um ambicioso plano de estímulo que reative o consumo e o investimento no país.

De acordo com Cristina Rohmer, presidente do Conselho de Assessores Econômicos da Casa Branca, é necessário "um estímulo fiscal enérgico, bem desenhado" para contornar "este grave declínio e devolver a economia ao caminho do crescimento".

A Casa Branca defende um plano de estímulo econômico que nesta semana já recebeu o sinal verde da Câmara de Representantes (Deputados), mas está ainda pendente no Senado.

O plano está dotado com cerca de US$ 819 bilhões, dos quais cerca de US$ 275 bilhões deve ser destinados a cortes de impostos e cerca de US$ 500 bilhões a investimentos em infraestrutura, energia, novas tecnologias e educação.

A Casa Branca sustenta que com este projeto será possível criar ou evitar a perda de 3 milhões a 4 milhões de empregos.

A oposição republicana se opõe à medida ao reivindicar maiores cortes de impostos e opinar que boa parte dos investimentos representa um desperdício, que fará pouco para estimular a economia real e criar postos de trabalho.

Junto com a queda do Produto Interno Bruto (PIB), o Governo divulgou hoje dados da evolução do índice de preços do consumidor, um dos principais indicadores da inflação.

Este índice caiu no último trimestre, com a alta dos preços, excluindo os alimentos e os combustíveis, ficando em 0,6%, contra o 2,4% do trimestre anterior. Em todo o ano a inflação foi de 2,2%.

EFE pgp/jp

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