Brasília, 17 - O Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio deve crescer 11% em 2008, para R$ 646,7 bilhões na comparação com o resultado de R$ 582,6 bilhões no ano passado. A previsão foi divulgada hoje pelo superintendente técnico, Ricardo Cotta, da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

Nos 4 primeiros meses do ano, o PIB do agronegócio teve crescimento de 3,83%, resultado impulsionado, principalmente, pela alta dos preços dos insumos.

A CNA divulgou também sua primeira estimativa de exportação para este ano. Os embarques de produtos agrícolas devem render 14,7% a mais no ano, totalizando US$ 67 bilhões. As importações devem aumentar 26,4% para US$ 11 bilhões. O saldo comercial será de US$ 56 bilhões, representando elevação de 12% em relação ao ano passado.

No primeiro semestre deste ano, os embarques de produtos agrícolas renderam US$ 33,8 bilhões, crescimento de 6,3% na comparação com mesmo período de 2007. No acumulado de janeiro a junho, os gastos com importações somaram US$ 5,6 bilhões, crescimento de 42,7% ante igual período do ano passado.

De acordo com números da CNA, o trigo foi o produto agrícola mais importado pelo País no período, respondendo por um quinto dos gastos. A CNA avalia que as importações de trigo, que nos últimos anos abasteceram entre 60% e 70% do consumo interno, serão menores este ano porque o governo adotou uma série de medidas para estimular a produção tritícola nacional. O Brasil também importou borracha, arroz, e produtos de supermercado, como figos secos.

VBP

Cotta divulgou ainda uma nova previsão para o Valor Bruto da Produção (VBP) agropecuária, que deve somar R$ 284,9 bilhões no ano, crescimento de 29,18% em relação ao ano anterior. Mesmo com os dados positivos do agronegócio - exportações, PIB e faturamento - o superintendente disse que a meta do governo de elevar a produção agrícola para R$ 150 milhões de toneladas "está ameaçada".

Segundo ele, o governo não atacou os principais gargalos da agricultura. Entre eles, a dependência externa por fertilizantes e o reduzido número de empresas do setor no mercado interno. Ele também comentou sobre as falhas no setor de logística e disse que o governo não investiu em obras de infra-estrutura. Cotta defendeu autorização por parte do governo para que a iniciativa privada invista na área de logística, principalmente portuária. "Uma queda na produção é factível de ocorrer", afirmou.

Como medida que pode ter impacto no curto prazo e reduzir o custo de produção, Cotta citou o fim da cobrança do Adicional do Frete para Renovação da Marinha Mercante (AFRMM), que é de 25% do valor do frete. Ele acrescentou que outra idéia é zerar a cobrança de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e prestação de Serviços (ICMS) na comercialização de fertilizantes, decisão que cabe aos Estados, por meio do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz). "Seria um injeção na veia", afirmou.

Renda para o Produtor

O superintendente observou que a expectativa de aumento do PIB do setor não significa aumento de renda para o produtor rural, já que os preços dos insumos estão valorizados em relação ao ano passado. "O produtor precisa de mais sacas de soja para comprar a mesma quantidade de fertilizantes", citou.

Um estudo da CNA mostra que os custos de produção para a safra de soja 2008/09 subiram, em média, 35%. Os gastos com defensivos, no entanto, serão menores este ano, já que uma lei do fim de 2006 autoriza o uso de defensivos genéricos no Brasil.

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