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PIB do 3º trimestre ainda não reflete situação atual

O resultado do Produto Interno Bruto (PIB) do terceiro trimestre, que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulga hoje, deve marcar o último crescimento vigoroso da economia nacional, com aceleração acima de 5,5% sobre o mesmo período do ano passado. Anabolizado por desempenhos excepcionais, principalmente da indústria e do comércio, no período imediatamente anterior ao agravamento da crise internacional, o PIB que será conhecido hoje estará desvinculado da situação real atual.

Agência Estado |

"Teremos, a partir de agora, pelos menos três trimestres de resultados bem menores, em torno de 3%, dependendo do rumo da economia americana. A tendência é de desaceleração", avalia o economista Carlos Langoni, ex-Banco Central e sócio da Projeta Consultoria. De 26 instituições financeiras e consultorias ouvidas pela Agência Estado, apenas uma prevê resultado abaixo de 5,5% no período ante o terceiro trimestre de 2007. A grande maioria (20) aposta em saldo acima de 5,7%.

Soma de todas as riquezas produzidas no País, o PIB também deve apresentar crescimento robusto em relação ao segundo trimestre, entre 1,3% e 1,4% para mais da metade das instituições ouvidas. Foram feitos pequenos ajustes nas previsões a partir da semana passada, por efeitos estatísticos e pelo resultado da produção industrial de outubro que, já embutidos os efeitos da crise, trouxe queda maior do que a esperada (1,7%) em relação a setembro e apenas um ligeiro crescimento (0,8%) ante outubro de 2007.

O resultado que será divulgado hoje, lembram economistas, parecerá sancionar a tese de que o Brasil passa ao largo da crise internacional. "De fato, até setembro, as perspectivas domésticas eram favoráveis e a crise internacional não havia atingido a economia brasileira de forma importante", lembra Sérgio Vale, economista-chefe da MB Associados. "A questão é que, a partir de outubro, a economia desacelerou, o que terá conseqüências negativas para as projeções de atividade do quarto trimestre", adverte.

Mesmo com os "atenuantes" - como o pagamento do 13º salário, que deve injetar cerca de R$ 78 bilhões na economia, segundo o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese)-, é tido como impossível evitar o forte recuo do quarto trimestre. "Com a contração da indústria e o desaquecimento expressivo em bens duráveis, como os automóveis, se tivermos crescimento de 3% a 3,5% no último trimestre já será bom. Agora, o mundo estará à espera do dia 20 de janeiro, quando começará a ser conhecida a política do governo Barack Obama para recuperação econômica dos Estados Unidos", diz Langoni.

As projeções do início do mês para agora são atribuídas a ajustes estatísticos, e não a uma mudança de visão em relação à economia brasileira. É o que explica, por exemplo, a equipe de analistas do Bradesco, que elevou de 1% para 1,1% a projeção do PIB para o terceiro trimestre ante período imediatamente anterior, e de 5,5% para 5,6% na comparação com o terceiro trimestre de 2007. "Só fizemos um arredondamento porque, quando fazemos a dessazonalização do PIB, seguimos o método sugerido pelo IBGE na última divulgação."

Os analistas defendem quase em uníssono que os impactos negativos da crise na economia real poderão ser identificados mais cedo do que o esperado por analistas do mercado financeiro. Mas apenas no PIB do quarto trimestre e na comparação com o período imediatamente anterior. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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