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PIB cai pela 1ª vez na União Européia

A crise se instala na Europa. Pela primeira vez desde que o euro foi lançado, há quase uma década, as economias da União Européia (UE) tiveram uma retração real de seu Produto Interno Bruto (PIB).

Agência Estado |

Ontem, o bloco anunciou que o PIB da zona do euro caiu 0,2% no segundo trimestre. Com o anúncio, o temor é que todas as economias do G-7 - o grupo dos países mais ricos do mundo, formado por Estados Unidos, Canadá, França, Itália, Espanha, Reino Unido e Japão - partam para uma mesma direção: a recessão.

No primeiro trimestre, a UE havia registrado alta de 0,7% no PIB e políticos chegaram a anunciar que o continente estaria "blindado" contra a queda na economia americana. Agora, as condições externas e o preço da energia reverteram de forma significativa o cenário para as economias européias.

Essa queda também pode ser uma notícia ruim para o Brasil. Os europeus são os maiores importadores de alimentos do mundo e absorvem parte importante das exportações do País. Com a queda no consumo nos Estados Unidos e na Europa, as vendas do Brasil para essas regiões podem ser reduzidas. Soma-se a isso a valorização do Real e as ondas protecionistas em setores dos países ricos diante de suas próprias crises.

Os dados divulgados ontem mostram que todos os motores da economia européia estão sofrendo. A Alemanha teve uma queda, pela primeira vez em quatro anos, de 0,5%. Ainda assim, Berlim aposta que continuará crescendo 1,7% no ano. Em 2007, a taxa foi de 2,5%.

Na França a retração real foi de 0,3%, a primeira do país em seis anos. Salários reais estão caindo e o consumo está estagnado desde o início do ano. Mas a ministra da Economia da França, Christine Lagarde, garante o país não entrará em recessão.

O PIB da Itália também teve queda 0,3%. Na Inglaterra, o Banco Central alertou, no início da semana, que a economia britânica entrará em recessão até o fim do ano.

"Serão anos muito difíceis", afirmou anteontem o primeiro-ministro da Espanha, José Luis Zapatero, ao anunciar 24 anos medidas de reforma da economia para tentar anular o desempenho ruim do PIB com maior competitividade por parte das empresas espanholas.

A Espanha, há poucos anos uma das economias que mais cresciam entre os países ricos, teve alta no PIB de apenas 0,1%, o pior resultado em 15 anos. O governo quer injetar 20 bilhões até 2010 para tentar aliviar as dívidas das pessoas que compraram casas e para salvar pequenas e médias empresas.

Há dois dias, o Japão havia anunciado queda de 2,5% em seu PIB no segundo trimestre. Agora, é a vez dos europeus darem sinais de que a recessão pode mesmo ser uma realidade e de que não passava de uma ilusão a idéia de que haviam conseguido escapar da crise nos EStados Unidos.

Crise

Ontem, o mercado tentava identificar qual seria o ponto mais baixo da crise. O presidente do Banco Central Europeu (BCE), Jean Claude Trichet, havia anunciado há uma semana que o começo do segundo semestre seria "particularmente fraco" para a economia da região. Tecnicamente, uma recessão é declarada na Europa quando há retração do PIB em dois trimestres consecutivos.

Segundo os dados oficiais, o que provocou o resultado negativo foi a queda nos investimentos e no consumo e uma forte redução na construção. Espanha e Irlanda foram os mais afetados por isso.

Mas a valorização do euro também vem afetando a capacidade dos europeus de competir no exterior. Nos últimos 12 meses, as vendas alemãs vinham garantindo parte do crescimento do PIB. Mas, com a alta nos preços do petróleo, menor consumo global e euro valorizado, até as exportações caíram.

Com a desaceleração, a pressão sobe sobre o BCE para que relaxe a taxa de juros e permita um crescimento maior. Mas Trichet foi contundente ao dizer que não está em seus planos a redução dos juros diante de uma inflação recorde no bloco. Em julho, a taxa foi de 4%. Pelas metas da UE, a inflação não pode subir além de 2%.

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