PIB cresce 8,9 % no primeiro semestre, aponta IBGE

Resultado é o melhor para o período desde o início da série histórica, em 1996; no segundo trimestre, alta é de 1,2%

Sabrina Lorenzi, do iG Rio de Janeiro | 03/09/2010 09:02 - Atualizada às 13:13

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O desempenho da economia brasileira superou expectativas de economistas e analistas de mercado com um crescimento de 1,2% no segundo trimestre em relação ao primeiro. É uma taxa mais modesta que a verificada de janeiro a março, quando o Produto Interno Bruto (PIB) avançou 2,7% sobre o trimestre anterior, mas melhor apontavam as estimativas mais otimistas, que não chegavam a 1%. O conjunto de riquezas produzidas pelo País entre abril e junho somou R$ 900,7 bilhões, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que divulgou nesta sexta-feira as Contas Nacionais Trimestrais.

Já em comparação ao mesmo trimestre do ano passado, o PIB aumentou 8,8% - quase o mesmo salto registrado no primeiro semestre de 2010. Nos seis primeiros meses do ano, a economia brasileira cresceu 8,9%, a maior taxa série histórica, iniciada em 1996. A taxa anualizada, com a soma dos 12 últimos meses, o PIB brasileiro apresenta alta de 5,1%.

"Realmente tivemos uma pequena desaceleração neste trimestre que tem relaçãocom a base de comparação porque no primeiro trimestre de 2009 a gente ainda estava numa fase de turbulência. Indústria e serviços apresentaram taxa de crescimento inferior a do primeiro trimestre. A única atividade que cresceu foi a de agropecuária, fato explicado pelo desempenho muito ruim deste setor no ano passado", afirmou a gerente da Coordenação de Contas Nacionais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Rebeca Palis.

Apesar do aumento dos juros iniciado pelo governo para conter a economia, a indústria surpreendeu as previsões do mercado ao registrar um PIB 1,9% maior no segundo trimestre em relação ao primeiro.Os setores de serviços (1,2%) e a agropecuária (2,1%) também apresentaram taxas robustas.

Pela ótica da demanda, os investimentos cresceram 2,4%, enquanto o consumo das famílias aumentou 0,8% no trimestre. Em tempos de eleições, as despesas do governo, por sua vez, avançaram mais do que nos trimestres anteriores, com alta de 2,1%. "Pelo lado do setor externo, tanto as exportações (1,0%) como as importações de bens e serviços (4,4%) apresentaram crescimento", completou o IBGE.

O PIB a preços de mercado para o segundo trimestre do ano chegou a R$ 900,7 bilhões, sendo R$ 769,5 bilhões referentes ao valor adicionado e R$ 131,2 bilhões aos impostos sobre produtos.

Recorde nos investimentos

O forte crescimento da economia brasileira tem como pano de fundo dois aliados fundamentais: os investimentos e o consumo das famílias. A Formação Bruta de Capital Fixo, que mede os investimentos, saltou 26,5% no segundo trimestre em relação ao mesmo período do ano passado. Foi o maior salto desde o começo da pesquisa, iniciada em 1996. O instituto ressalta o aumento nas importações de máquinas e equipamentos.

As importações totais, por sua vez saltaram 38,8%, enquanto as exportações avançaram 7,3% neste período. "A valorização cambial ajuda a explicar o maior crescimento relativo das importações, e os produtos que mais contribuíram para esse resultado foram siderurgia; refino do petróleo e petroquímicos; veículos; têxteis; borracha; equipamentos eletrônicos; extrativa mineral; e material elétrico", cita o IBGE.

O consumo das famílias cresceu pelo 27º trimestre consecutivo, numa alta de 6,7% em relação ao mesmo período do ano passado. "Um dos fatores que contribuíram para esse resultado foi o crescimento de 7,3% na massa salarial real, no segundo trimestre de 2010, aliado, no mesmo período, ao aumento nominal de 17,1% do saldo de operações de crédito para as pessoas físicas", assinala a pesquisa do IBGE.

Em relação ao trimestre anterior, porém, investimentos e consumo das famílias desaceleraram em relação ao ritmo do início do ano. Na comparação com o trimestre anterior, a expansão dos investimentos passa de uma taxa de 7,3% de janeiro a março para 2,4% de abril a junho. Já o consumo das famílias passa de alta de 1,4% para 0,8%.

Mas Rebeca ressalta que o consumo das famílias continua sendo impulsionado pelo aumento dos salários e pondera que é natural uma acomodação após o fim dos incentivos fiscais para a compra de autómoveis e eletrodomésticos. A pesquisadora lembra que o menor ritmo das compras das famílias começou no ano passado.

Semestre


No semestre, o destaque ficou com a indústria, que cresceu 14,2% frente a igual período de 2009. Agropecuária e serviços cresceram, respectivamente, 8,6% e 5,7%.

"Dentre as quatro atividades da indústria, os maiores crescimentos ficaram com a construção civil (15,7%) e a indústria de transformação (15,4%)", disse o IBGE. Tiveram variações positivas também a extrativa mineral (13,9%) e a atividade de eletricidade e gás, água, esgoto e limpeza urbana (9,5%). Entre os serviços, o comércio teve a maior alta semestral, com 13,5%.

A formação bruta de capital fixo, por sua vez, foi o destaque na análise da demanda interna, com crescimento de 26,2%, o maior da série histórica. O consumo das famílias saltou 8% na mesma base de comparação, enquanto os gastos da administração pública subiram 3,6%.

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