RIO DE JANEIRO - Depois de mais de seis horas de buscas, a Polícia Federal (PF) deixou o prédio onde está a sede da MMX, empresa de mineração do empresário Eike Batista, na Praia do Flamengo, zona Sul do Rio de Janeiro, levando documentos e discos rígidos de computador. Os arquivos serão enviados para a Polícia Federal do Amapá, onde serão analisados.

Empresário Eike Batista é alvo de operação da PF
Eike Batista é alvo de operação da PF

A Operação Toque de Midas investiga possíveis irregularidades na concessão da estrada de ferro do Amapá, que hoje pertence à MMX Logística do Amapá. Setenta por cento do capital social da MMX Amapá está nas mãos da MMX Mineração e Metálicos, que, por sua vez, é controlada por Eike.

Segundo a PF, há indícios de direcionamento para que as empresas do grupo de Eike vencessem a licitação, com o ajuste prévio de cláusulas favoráveis às empresas deste grupo. A manobra das exigências para a habilitação dos participantes teria afastado outros concorrentes do processo.

A concessão foi inicialmente arrematada pela Acará Empreendimentos, que a repassou para a MMX. A estrada de ferro liga os municípios de Serra do Navio e Santana, no Amapá, e transporta minério do interior do estado para o Porto de Santana às margens do Rio Amazonas.

Além da possibilidade de fraude na licitação, a operação da PF investiga possível desvio de ouro lavrado nas minas do interior do Estado. Esse metal pode não estar sendo totalmente declarado à Receita Federal.

AE
Policiais realizam busca em empresa de Eike Batista no Rio de Janeiro
Policiais realizam busca em empresa de Eike Batista no Rio de Janeiro

Ao todo são 12 mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça Federal do Amapá. No Rio de Janeiro, os policiais fizeram buscas na casa de Eike, no Jardim Botânico, na sede da MMX, na Praia do Flamengo, e na casa de Flávio Godinho (vice-presidente da MMX). O empresário está em uma viagem ao exterior com um dos filhos.

Além disso, cinco mandados foram realizados em Macapá (AP), nas residências de Braz Martial Josaphat (AFRF e lobista), Ruben Bemerguy (ex-procurador geral do Estado), Guaracy Campos Farias (membro da comissão especial de licitação da estrada de ferro), na empresa Conterra Ltda (prestadora de serviços à MMX) e na Secretaria de Planejamento e Orçamento do Estado do Amapá; um em Santana (AP), nas instalações da MMX Amapá Ltda; dois em Pedra Branca do Amapari(AP), na mina do projeto ferro da MMX e na Mineração Pedra Branca do Amapari Ltda; um em Belém (PA), na residência de Jose Carlos Frederico (empregado da MPBA e da MMX).

O empresário Eike Batista é fundador e presidente da EBX, uma holding brasileira que atua nos ramos de mineração, logística, energia, petróleo e gás. O Grupo EBX abarca empresas como a mineradora MMX e a OGX, cujo ramo de atuação é a exploração e produção de petróleo e gás natural.  

O nome da operação - "Toque de Midas" - é uma referência à lenda do Rei Midas, da Grécia, do qual se dizia que todas as coisas em que ele punha a mão se transformavam em ouro.

(*com informações das agências Estado e Valor)

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