Os preços do petróleo dispararam mais de 11% em Nova York, depois de ganharem um impulso no final da sessão, com os mercados preocupados com relação ao resultado do próximo encontro da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep). O petróleo tem oscilado com volatilidade, com mudanças de preços diárias de mais de 5% ocorrendo 19 vezes este ano na Bolsa Mercantil de Nova York (Nymex, na sigla em inglês).

Apesar dessa volatilidade, os preços têm flutuado perto dos US$ 40 por barril há meses.

Na Nymex, os contratos de petróleo para abril subiram hoje US$ 4,70, ou 11,10%, e fecharam a US$ 47,03 por barril. Incluindo as transações do sistema eletrônico Globex, a mínima foi de US$ 42,51 e a máxima de US$ 47,22. Na ICE Futures, em Londres, os contratos de petróleo Brent para abril subiam U$ 3,69, ou 8,91%, para US$ 45,09 por barril, com uma mínima de US$ 41,48 e uma máxima de US$ 45,48.

Os ganhos de hoje ocorreram um dia depois de uma queda igualmente acentuada, motivados pela aproximação do encontro ministerial da Opep neste domingo. O cartel anunciou cortes no total de 4,2 milhões de barris diários no ano passado, um esforço que ajudou a colocar um piso de preço em um mercado em baixa. Com os preços ainda abaixo do nível de conforto de muitos membros da Opep, não está claro se a organização vai decidir por um corte adicional na oferta. "É razoavelmente incerto prever os encontros da Opep. Eles cultivam a arte da surpresa de certa forma", disse Antoine Halff, pesquisador da corretora Newedge USA, em Nova York.

Os contratos de petróleo despencaram mais de US$ 100 por abril desde sua máxima histórica registrada em julho do ano passado, apertando fortemente os orçamentos dos países exportadores. A Venezuela vai exortar o cartel a cortar mais oferta para elevar os preços, disse Angel Rodriguez, chefe da comissão de energia do parlamento venezuelano, segundo a agência France-Presse. "A Venezuela vem dizendo que concorda um novo corte na oferta porque as reservas de petróleo nos países consumidores estão elevados e precisam ser reduzidos para que não se repita uma delicada situação com relação a preços com tendência de queda", disse Rodriguez.

O ministro de petróleo da Líbia disse que o mercado mundial está com excesso de oferta e seu país vai cooperar se a Opep concordar com uma nova redução na produção. Na Rússia, maior produtora fora do cartel, o vice-primeiro-ministro, Igor Sechin, disse que o país apoia cortes na oferta do produto e a "Rússia vai participar deste trabalho", de acordo com as agências de notícias russas. Nos últimos meses, Moscou tem coordenado cortes na produção com a Opep e Sechin vai participar do encontro deste domingo em Viena (Áustria).

As recentes mudanças de preço têm ocorrido à medida que os produtores e operadores tentam avaliar os impactos da economia sobre a demanda. Nesta sexta-feira, os participantes vão analisar com atenção as previsões atualizadas de demanda globais do relatório mensal da Opep e da Agência Internacional de Energia (AIE). As informações são da Dow Jones.

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