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Os contratos futuros de petróleo, negociados no mercado internacional, não sustentaram os ganhos conquistados ontem, quando os preços da matéria-prima (commodity) subiram cerca de 3% tanto em Londres quanto em Nova York, e fecharam em baixa hoje, na medida em que as atenções do mercado se voltaram novamente para a crise econômica global e os reflexos dela na demanda pelo produto. Na Bolsa Mercantil de Nova York (Nymex, na sigla em inglês), os contratos futuros do petróleo para novembro, que venceram hoje, caíram 4,53%, para US$ 70,89 o barril; a mínima foi em US$ 69,77 e a máxima a US$ 75,69.

O volume de negócios foi baixo. Em Londres, os contratos futuros do petróleo tipo Brent com vencimento em dezembro recuaram 3,70%, para US$ 69,72 o barril, com mínima em US$ 67,91 e máxima em US$ 73,29.

Os preços do petróleo, que haviam subido por dois dias consecutivos, caíram devido às renovadas preocupações sobre o enfraquecimento da economia global, que substituíram as especulações sobre o corte de produção da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep).

O dólar chegou a atingir a maior alta em 19 meses ante o euro, em um sinal de que grandes especuladores estão abandonando mercados vistos como de alto risco. Os investidores venderam contratos de petróleo, cotado na moeda americana, para compensar o fortalecimento do dólar.

Participantes do mercado também aguardam novas evidências de queda da demanda pelo produto, com a divulgação, amanhã, dos dados semanais sobre os estoques de petróleo e derivados dos Estados Unidos. Os estoques de petróleo e gasolina cresceram rapidamente nas últimas semanas, depois que as refinarias do Golfo do México voltaram a operar e a demanda caiu em razão da desaceleração da economia. "A expectativa de outra grande alta nos estoques de petróleo e gasolina foi levada em conta hoje", disse Andy Lebow, da MF Global.

O dólar mais forte e as preocupações sobre demanda desviaram temporariamente o foco do mercado da reunião da Opep na sexta-feira (dia 24), quando se espera que o cartel faça cortes de produção. Há grande expectativa de que a Opep anuncie uma redução de pelo menos 1 milhão de barris por dia, mas ainda há dúvidas sobre se o maior exportador mundial, a Arábia Saudita, vai concordar com a medida ou se o corte será suficiente para conter a queda da demanda. A Opep ainda não decidiu se vai cortar a produção, disse, hoje, em Moscou, o secretário-geral da entidade, Abdullah al-Badri.

O grupo tem opções limitadas, já que um corte muito grande forçaria a demanda ainda mais para baixo, enquanto uma redução pequena faria pouco para elevar os preços, disse Phil Flynn, analista da Alaron Trading. "Eles realmente estão entre a cruz e a espada", disse Flynn. "O mercado está mostrando falta de respeito sobre o que eles podem realmente fazer nesse tipo de ambiente". As informações são da Dow Jones.

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