Os preços do petróleo ampliaram as perdas hoje, em Londres e Nova York, diante dos sinais de que a passagem do furacão Gustav pela costa do Golfo do México não vai reprimir a produção de petróleo da região por muito tempo, segundo operadores e analistas. Na Bolsa Mercantil de Nova York (Nymex, na sigla em inglês), os contratos futuros de petróleo com entrega em outubro caíram US$ 5,75, ou 4,98%, e fecharam a US$ 109,71 por barril - menor fechamento desde 8 de abril.

Incluindo as transações do sistema eletrônico Globex, a mínima foi de US$ 105,46 e a máxima de US$ 111,50. Em Londres, no sistema eletrônico da Bolsa Intercontinental, os contratos de petróleo Brent para outubro caíram US$ 1,07, ou 0,98%, e fecharam a US$ 108,34 por barril. A mínima foi de 104,14 e a máxima de US$ 110,45.

As companhias de petróleo passaram o dia inspecionando as refinarias, plataformas e sondas de perfuração ao longo da costa da Louisiana depois da passagem de Gustav, que trouxe fortes ventos e chuvas. Até agora não foi informado nenhum grande dano às instalações, embora as companhias ainda não tenham terminado suas avaliações.

Os futuros de petróleo responderam com uma acentuada queda dos preços. Pela manhã na Nymex, os contratos de petróleo para outubro chegaram a cair US$ 10,00 para US$ 105,46 por barril na mínima do dia, atingindo o limite de flutuação de preço que levou à paralisação dos negócios por seis minutos na plataforma eletrônica às 5h16 (de Brasília). Segundo uma porta-voz da Nymex, os limites de oscilação de preço para os contratos futuros de petróleo, gasolina e óleo para aquecimento foram dobrados.

Os futuros de petróleo registraram uma recuperação parcial, quando alguns participantes expressaram que a liquidação tinha sido exagerada. "Nós recuperamos, razoavelmente, das mínimas", disse John Kilduff, da MF Global em Nova York, acrescentando que ainda era um pouco cedo em termos de avaliação de danos da tempestade.

De fato, a oferta no curto prazo nos EUA está suspensa, com o Serviço de Administração de Minerais dos EUA (MMS, na sigla em inglês) informando que praticamente toda a produção de petróleo e gás do país no Golfo do México permaneceu paralisada pelo segundo dia consecutivo em virtude do furacão.

O petróleo também sentiu a pressão do dólar mais forte. Durante a noite, o euro escorregou para a mínima em sete meses para US$ 1,4466. O dólar forte reduz a atração do petróleo como instrumento de proteção (hedge) cambial e diminui o incentivo aos exportadores para elevarem os preços para manterem a receita estável.

Com os futuros de petróleo fechando abaixo de US$ 110,00 por barril pela primeira vez em quase cinco meses, crescem as especulações de que os preços devem cair mais nos próximos dias. Vários participantes disseram que a ameaça do furacão serviu para dar suporte aos preços ao longo da semana passada. "O único motivo por que não estávamos abaixo de US$ 110 (antes) foi por causa do medo do furacão Gustav", disse Nauman Barakat, vice-presidente sênior da Macquarie Futures. As informações são da Dow Jones.

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