Tamanho do texto

O petróleo negociado em Nova York e em Londres fechou em alta pelo terceiro dias seguido, após a divulgação de um pacote de medidas do governo dos EUA para auxiliar os mercados financeiros ter reduzido os temores dos investidores em relação à potencial queda na demanda mundial da commodity. Os contratos futuros com vencimento em outubro negociados na Bolsa Mercantil de Nova York (Nymex, na sigla em inglês) subiram US$ 6,67, ou 6,81%, para US$ 104,55 o barril.

Incluindo as transações do sistema eletrônico da plataforma Globex, a mínima de hoje foi de US$ 97,39 e a máxima de US$ 105,25 o barril. Os contratos futuros do petróleo com vencimento em novembro tiveram o dobro das negociações do contrato de outubro, que vence na segunda-feira, e avançaram US$ 5,21, ou 5,3%, para US$ 102,75 o barril.

Na ICE Futures, em Londres, o petróleo tipo Brent com vencimento em novembro avançou US$ 4,42, ou 4,64%, para US$ 99,61 o barril, com mínima de US$ 94,85 e máxima de US$ 100,50.

Autoridades norte-americanas divulgaram um plano do governo para auxiliar o mercado de crédito por meio da aquisição de ativos podres das instituições financeiras. Além disso, a Securities and Exchange Commission (SEC) - agência reguladora do mercado de capitais dos EUA - proibiu por duas semanas as vendas a descoberto de papéis de instituições financeiras, numa tentativa de conter a especulação e evitar que as ações continuem caindo.

Os preços nos mercados de petróleo e de ações subiram após o anúncio, em meio às expectativas de que a crise financeira tenha atingido o seu ponto mais crítico. A recuperação no mercado de ações deve diminuir a saída de capitais do petróleo, pois não haverá uma pressão tão forte sobre os fundos de hedge para que liquidem posições em commodities a fim de cobrir perdas em carteiras de ações, de acordo com Darin Newsom, analista de commodities da DTN.

"Não acho que teríamos subido com tanta força se os mercados financeiros tivessem sido abandonados", afirmou. "De repente temos o suporte das ações e você não precisa liquidar estes outros investimentos agora". Segundo Newson, os especuladores não voltaram ao mercado de petróleo, portanto, a alta reflete as condições reais do mercado.

Tanto o petróleo quanto as ações precisam percorrer um longo caminho antes de ser concluído efetivamente que ambos atingiram um piso, de acordo com Matt Zeman, presidente de negociações do LaSalle Futures Group.

A demanda por produtos de petróleo recuou mais de 4%, de acordo com dados recentes do Departamento de Energia dos EUA, com a diferença dos últimos 12 meses aumentando, mesmo com a queda nos preços, que atingiram recordes durante o verão no Hemisfério Norte. Diversas grandes economias européias estão em recessão, apesar do crescimento dos países em desenvolvimento continuar forte.

"Não espero que o petróleo continue por muito tempo acima dos US$ 100", disse Zeman. "A economia tem muito trabalho a fazer antes de se estabilizar. O mercado avaliará a situação no fim de semana e pode enxergar uma história muito diferente na segunda-feira".

O mercado acompanha diversas ameaças à oferta que podem ofuscar os receios referentes à demanda na próxima semana. A maior parte da produção no Golfo do México continua suspensa após a passagem dos furacões Gustav e Ike, e s estoques comerciais de gasolina dos EUA se aproximam de um nível historicamente baixo. As reservas podem recuar ainda mais conforme as refinarias retomam as operações.

O número de ataques a dutos de petróleo na Nigéria aumentou recentemente. Em junho, a intensificação dos conflitos na região interrompeu a oferta de até 1 milhão de barris por dia ao mercado. As informações são da Dow Jones.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.