O petróleo caiu pela terceira sessão consecutiva em Londres e Nova York. Na Bolsa Mercantil de Nova York (Nymex, na sigla em inglês), os contratos futuros de petróleo com entrega em setembro recuaram para a menor cotação em três meses, pressionados pela percepção de que a demanda e oferta mundiais estão se aproximando de um equilíbrio, segundo operadores e analistas.

Na Nymex, os contratos de petróleo para setembro caíram US$ 1,44, ou 1,26%, e fecharam a US$ 113,01 por barril. Incluindo as transações do sistema eletrônico Globex, a mínima foi de US$ 112,31 e a máxima de US$ 115,95. Os preços futuros de petróleo encontram-se agora mais de 22% abaixo do recorde de US$ 145,29 por barril registrado no início de julho na Nymex, pressionados pela deterioração da demanda em resposta aos preços elevados e frágil perspectiva para a economia mundial.

As preocupações relacionadas à demanda por petróleo foram reforçadas pelos relatórios da Agência Internacional de Energia (AIE) e do Departamento de Energia dos EUA (DOE, na sigla em inglês). O relatório da AIE sugeriu "enfraquecimento dos fundamentos e estoques potencialmente mais altos nos próximos meses", mesmo se o mundo consumir 87,8 milhões de barris diários no próximo ano, o que representaria um aumento de 1,1% (ou 900 mil barris/dia) em relação ao consumo deste ano.

Da mesma forma, o DOE observou que "as perspectivas para fundamentos melhores no mercado de petróleo ao longo dos próximos 18 meses apontam para um alívio no desequilíbrio do mercado e para fraqueza dos preços no curto prazo". O DOE prevê um preço médio à vista para o petróleo de US$ 119,09 por barril este ano, 6,5% abaixo da sua previsão anterior.

Tanto a AIE quanto o DOE alertaram que interrupções na oferta de petróleo poderão desfazer rapidamente esta recente liquidação. Operadores também disseram que a cautela está na ordem do dia. "O mercado está bastante vendido (apostando na queda)", disse Peter Van Cleve, presidente da T.W. Energy Consulting. "Eu penso que estamos ficando cansados daqui do fundo (do poço) e estamos prontos para uma modesta recuperação", acrescentou.

Os preços do petróleo caíram apesar da decisão da britânica BP PLC de suspender o fluxo de seu oleoduto que atravessa a Geórgia, após a ofensiva da Rússia dentro do país ao longo dos últimos dias. O fechamento temporário de um fluxo de 150 mil barris diários do oleoduto Baku-Supsa ocorre na seqüência da suspensão, na semana passada, do fluxo de 850 mil barris por dia do oleoduto Baku-Tbilisi-Ceyhan após um incêndio. Hoje o presidente da Rússia Dmitry Medvedev ordenou a suspensão das operações militares contra a Geórgia.

"Não há dúvida de que se tivéssemos este tipo de ação militar nesta parte do mundo há dois meses, teríamos visto movimentos muito maiores de alta (dos preços)", disse Jonathan Benjamin, analista sênior da New Wave Energy. Contudo, após acentuadas perdas nas últimas semanas, os compradores que assumem posições compradas (de aposta na alta) estão mais moderados. "As pessoas estão relutantes em comprar petróleo neste momento, simplesmente porque seria contrário à tendência", disse Benjamin.

Na Bolsa Intercontinental, de Londres, os contratos de petróleo Brent para setembro caíram US$ 1,52, ou 1,35%, e fecharam a US$ 111,15 por barril. A mínima foi de US$ 110,47 e a máxima de US$ 114,31. As informações são da Dow Jones.

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