Os contratos futuros de petróleo fecharam com queda expressiva hoje, apesar de a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) ter anunciado um corte de 1,5 milhão de barris por dia na produção da matéria-prima (commodity), o equivalente a 1,7% da demanda mundial. O mercado considerou que a redução não acompanhou a queda no consumo e, com isso, se manteve focado na perspectiva de enfraquecimento da economia global.

Na Bolsa Mercantil de Nova York (Nymex), os contratos futuros do petróleo tipo WTI com entrega do produto em dezembro tiveram queda de US$ 3,69, ou 5,44%, para US$ 64,15 o barril, no pregão viva-voz, o fechamento mais baixo desde 31 de maio de 2007. Incluindo as transações na plataforma eletrônica Nymex/Globex, a mínima foi de US$ 62,66 e a máxima foi de US$ 69,50. No pregão eletrônico da ICE Futures, em Londres, os contratos para dezembro do barril do petróleo tipo Brent registraram baixa de US$ 3,87, ou 5,88%, para US$ 62,05.

Em um comunicado divulgado após a reunião, a Opep disse que o "colapso dramático" dos preços coloca em risco os investimentos para aumentar a produção de petróleo. Os preços da commodity caíram mais de US$ 80 por barril desde o recorde alcançado em julho.

Logo depois do anúncio do corte na produção, as cotações do petróleo aprofundaram a queda, refletindo a preocupação dos participantes de que a desaceleração das economias mais industrializadas tem reduzido o consumo do combustível. "A demanda está caindo muito rápido nos Estados Unidos", disse Bart Melek, estrategista de commodities do BMO Capital Markets. "O mercado imagina que o que está acontecendo nos EUA também ocorre em outros países", afirmou, lembrando que China, Índia e outras economias emergentes aumentaram o consumo de petróleo nos últimos anos.

As cotações do petróleo também acompanharam a forte queda dos índices de ações, também abatidos pelos sinais de enfraquecimento econômico. O mercado de petróleo segue a reboque das ações atualmente, disse Harry Tchilinguirian, analista sênior de petróleo do BNP Paribas Commodity Derivatives. Outro fator de pressão sobre o mercado da commodity é a valorização do dólar ante o euro, que foi cotado hoje na mínima em US$ 1,2495, ante mais de US$ 1,60 em julho.

A decisão da Opep pode criar um piso para os preços na medida em que o balanço entre oferta e demanda ficar mais apertado. Isso vai depender da extensão e severidade da retração econômica, e também da disposição dos produtores para reduzir a oferta ainda mais. A próxima reunião do cartel está marcada para 17 de dezembro.

Por ora, "a recessão global não parece mais uma possibilidade remota", disse o chefe de estratégias em commodities do Merrill Lynch, Francisco Blanch. Ele vê sinais de queda na demanda por petróleo nos mercados emergentes. A Merrill Lynch reduziu sua estimativa para o preço do petróleo no último trimestre do ano de US$ 107 para US$ 78 por barril. As informações são da Dow Jones.

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