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SÃO PAULO - O barril do petróleo com vencimento em outubro ficou US$ 16 mais caro em Nova York hoje. Foi a maior alta em um só dia desde que o produto começou a ser negociado na Bolsa Mercantil de Nova York, em 1984.

O preço da commodity chegou a ser vendido com alta de mais de US$ 25 no contrato mais curto ao longo do dia, mas desacelerou um pouco no final dos negócios. Os demais contratos tiveram alta mais comedida, em torno de US$ 6 o barril.

A disparada do preço do contrato de outubro torna evidente a utilização do mercado de petróleo como investimento primordialmente financeiro. Segundo os agentes do setor, os operadores que venderam contratos na semana passada, quando o petróleo foi negociado a US$ 90 - esperando que o preço ia recuar ainda mais - tiveram que comprar contratos para zerar a posição, já que não tinham intenção de entregar fisicamente o barril de petróleo.

A análise dos agentes é de que alguns investidores com grandes posições compradas se aproveitaram do fato de os demais estarem encurralados e forçaram os preços da commodity para cima.

O contrato de WTI negociado para outubro fechou a US$ 120,92, com alta de US$ 16,37. O contrato para o mês de novembro, que passa a ser o mais curto a partir de amanhã, teve aumento de US$ 6,62, para US$ 106,04. Em Londres, o barril de Brent com vencimento em novembro encerrou a US$ 106,04, para US$ 6,43. O contrato para dezembro subiu US$ 6,18, para US$ 106,97.

Para justificar a alta dos demais vencimentos, os agentes citaram a depreciação do dólar. A moeda tombou após a divulgação do plano de US$ 700 bilhões que o governo dos EUA enviou ao Congresso para estancar a crise financeira. A leitura dos agentes é de que o programa de compra dos ativos sem liquidez no país deve exigir emissão de títulos da dívida nesse montante. Com uma quantia tão alta, o déficit público deve ficar ainda maior o que resulta em queda do dólar.

Com a divisa americana em queda, os grandes investidores procuram proteção contra a inflação de ganhos de curto prazo em contratos de commodities, como já ocorreu na primeira metade deste ano. Com uma demanda maior por esses contratos futuros, a tendência é de valorização do produto.

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