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Com sucessivas altas do preço do petróleo, nos últimos anos, os líderes da Venezuela, Irã e Rússia, fortaleceram suas posições, o que lhes permitiu ingressar no cenário mundial usando a diplomacia do talão de cheques e, dependendo da ocasião, da intimidação. Agora, a queda violenta das receitas abre uma série de interrogações quanto à capacidade destes países arcarem com seus gastos - e com a pretensão de fazer frente à hegemonia dos EUA.

Para as três nações, os petrodólares representaram um meio para alcançar um fim ideológico.

O venezuelano Hugo Chávez usou-os para dar início à revolução inspirada no socialismo, em seu país, e para fornecer apoio a líderes latino-americanos que abraçavam suas mesmas tendências, com o objetivo de minar a influência americana outrora dominante.

O Irã estendeu sua influência em todo o Oriente Médio, promovendo-se a líder do mundo islâmico, e usou seus petrodólares para desafiar os esforços do Ocidente para impedir o avanço de seu programa nuclear.

A Rússia, que sofreu um humilhante colapso econômico na década de 90, depois da queda do comunismo, reconquistou parte da posição que ocupava no mundo. Começou a reconstituir suas forças militares, recuperou o controle de oleodutos e gasodutos e repeliu as tentativas de penetração do Ocidente no antigo império soviético.

Financiar essas ambições custa muito mais quando o petróleo está cotado a US$ 74,25 o barril, seu preço de fechamento na segunda-feira em Nova York, do que quando era cotado a US$ 147, três meses atrás.

Isso não significa que esses países estejam na iminência de um desastre econômico ou abandonarão seus objetivos políticos. E o preço do petróleo, cuja cotação ainda é o dobro do que, há alguns anos, já era elevado, sempre pode voltar a subir.

No entanto, Rússia, Irã e Venezuela basearam seus gastos em um patamar de cotação que consideraram conservador, mas agora está próximo do nível do mercado. Novas quedas significativas poderão levar os gastos desses países a um nível deficitário ou pelo menos a obrigá-los a escolher entre suas prioridades. Uma recessão mundial agravaria a situação, reduzindo a demanda de energia e pressionando o preço para baixo.

Não está claro se as novas pressões criarão oportunidades para que os EUA abrandem as tensões, ou se os líderes dos três países se limitarão a usar declarações raivosas, se não puderem apelar para ações provocadoras.

Chávez prossegue com suas aberturas para a Rússia. Talvez agora, ele, o primeiro-ministro Vladimir V. Putin da Rússia, e o presidente Mahmud Ahmadinejad do Irã, vejam os EUA, sacudidos pela crise financeira, como uma nação ainda mais vulnerável.

Daniel Yergin, presidente da Cambridge Energy Research Associates, uma consultoria de Massachusetts, disse que os países petrolíferos se deparam com a necessidade de reformular cálculos.

Originalmente, afirmou, eles entendiam a crise econômica como um problema que dizia respeito apenas aos Estados Unidos, até que o preço do petróleo despencou.

"Agora, os países produtores experimentam um choque petrolífero às avessas", comentou Yergin. "Enquanto as receitas cresciam, os gastos dos governos subiam e a expectativa de fortunas inesperadas os levaram a alimentar ambições ainda maiores. Agora, estão descobrindo seu grau de integração num mundo globalizado".

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