SÃO PAULO - Os contratos futuros do petróleo terminaram com o menor preço em quatro anos, pressionados pela divulgação de um forte declínio no número de empregos dos EUA no mês de novembro. O dado contribuiu para reforçar a gravidade da recessão norte-americana e para aumentar a preocupação dos investidores com demanda pelo óleo, segundo operadores.

Em meio à queda livre dos preços, analistas do Merrill Lynch disseram que os preços do petróleo podem recuar para US$ 25 o barril em 2009 caso a recessão nos EUA, na Europa e no Japão atinja a China, principal responsável pelo crescimento mundial na demanda por commodities (matérias-primas) nos últimos anos.

O contrato futuro do petróleo com vencimento em janeiro negociado na Bolsa Mercantil de Nova York (Nymex, na sigla em inglês) caiu US$ 2,86, ou 6,55%, para US$ 40,81 o barril, com mínima de 40,50. Em Londres, o contrato do petróleo tipo Brent para janeiro perdeu US$ 2,54, ou 6%, para US$ 39,74 o barril. Estes foram os menores fechamentos para ambos os contratos desde dezembro de 2004.

O dado provocou um declínio acentuado no mercado de ações e entre as commodities, com o petróleo recuando para perto da barreira psicológica dos US$ 40 o barril. Posteriormente, as bolsas se recuperaram, impedindo uma queda mais acentuada dos preços.

"Este é um daqueles dias em que as pessoas querem liquidar suas posições de qualquer maneira, sem se importar com o nível do preço", disse Darin Newsom, analista da consultoria DTN.

Newsom e outros analistas vêem poucos obstáculos no caminho dos preços do petróleo para abaixo de US$ 40 até o dia 17 de dezembro, data agendada para a próxima reunião da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep).

A expectativa é que o cartel reduza a produção, mas não há sinais de que a medida atenderá às previsões do mercado. Além disso, os membros da Opep também não cumpriram totalmente o corte anunciado em outubro, de 1,5 milhão de barris por dia, o que pode diminuir a influência de uma decisão semelhante.

Para o analista de commodities da optionsXpress, Rob Kurzatkowski, quanto maior a queda nos preços, maior o incentivo da Opep para anunciar - e implementar - um novo corte na produção. "Se rompermos o nível dos US$ 40, alguns alarmes vão soar e alguns dos países exportadores podem, finalmente, diminuir a produção para níveis que provocariam pelo menos a estabilização dos preços".

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