Os contratos futuros do petróleo operam em baixa superior a 1%, tanto em Londres quanto em Nova York, pressionados pela valorização do dólar em relação a diversas moedas e por temores de que o desaquecimento no crescimento econômico mundial deve diminuir a demanda pela matéria-prima (commodity). Parece que o cenário de deterioração da demanda está ressurgindo após a divulgação de dados econômicos fracos, disse Rob Laughlin, analista de energia da corretora MF Global em Londres.

Às 12h30 (de Brasília), o contrato futuro do petróleo tipo WTI com vencimento em dezembro caía 1,15%, a US$ 65,20 o barril, na sessão eletrônica da Bolsa Mercantil de Nova York (Nymex). Em Londres, o contrato do petróleo tipo Brent com mesmo vencimento recuava 1,54%, a US$ 62,73 o barril.

Ontem, a divulgação de uma retração de 0,3% no Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos durante o terceiro trimestre, segundo estimativa preliminar, levou investidores a liquidarem posições no mercado de petróleo. Hoje, o anúncio de que os gastos com consumo pessoal caíram 0,3% nos EUA em setembro na comparação com agosto, depois de terem ficado inalterados em agosto ante julho, também pesou.

Além disso, a Alemanha, maior economia da zona do euro (15 países europeus que compartilham a moeda), anunciou uma queda mais acentuada do que a expectativa do mercado para as vendas no varejo em setembro. O mercado também ficou desapontado com um corte de 0,2 ponto porcentual na taxa básica de juros do Japão, para 0,3% ao ano. Analistas esperavam queda para 0,25% ao ano.

Analistas acreditam que os impactos de possíveis cortes nas taxas de juros pelo Banco Central Europeu (BCE) e pelo Banco da Inglaterra (BoE, o banco central inglês) na próxima semana não serão percebidos instantaneamente. "O corte na taxa de juros não significa um aumento na demanda hoje ou amanhã - e esse aumento pode não chegar até o ano que vem", disse Christopher Bellew, corretor de energia da Bache Commodities em Londres.

A redução de 1,5 milhão de barris na produção da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), anunciada na semana passada, já está sendo colocada em prática por alguns membros do grupo, como a Nigéria, que divulgou um corte de 5% nas exportações em novembro e dezembro. No entanto, o foco do mercado nos fundamentos da demanda parece ter limitado a reação dos preços.

"Parece que os investidores que apostavam na alta deixaram a peteca cair justamente quando tinham a chance de buscar um aumento nos preços", disse Clive Lambert, diretor da FuturesTechs. As informações são da Dow Jones.

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