Embora não tenham chegado a um acordo com a Petrobras, os petroleiros da Bacia de Campos decidiram manter o cronograma original e encerram hoje a greve de cinco dias nas plataformas da maior bacia petrolífera do País. Segundo o coordenador do Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense (Sindipetro-NF), José Maria Rangel, a categoria passa agora a discutir suas questões de forma unificada, com ameaça de uma nova paralisação a partir do dia 5 de agosto.

O Sindipetro-NF reúne hoje os trabalhadores da região em assembléia, para avaliar a proposta apresentada pela Petrobras na quarta-feira e o cronograma da greve nacional. Rangel diz, porém, que a estatal não tocou no tema do dia do desembarque, considerado fundamental pelo sindicato. A nova proposta tem poucos avanços com relação à rejeitada em reunião no início da semana, quando a greve com parada de produção nas plataformas ainda estava no seu segundo dia.

A greve dos petroleiros da Bacia de Campos chegou a ser citada por especialistas como um dos fatores de pressão sobre o preço do petróleo na semana passada. Na prática, porém, a Petrobras acionou equipes de emergência e garante ter retomado 100% da produção na bacia. Segundo a estatal, o prejuízo se limitou a 63 mil barris de petróleo na segunda-feira, quando 12 plataformas chegaram a suspender as atividades.

Rangel contesta o sucesso da ação das equipes de contingência. "São equipes pequenas, que não teriam condições de manter a produção a plena carga", diz. "Mas os números sobre a produção são fechados e não temos como avaliar o resultado da greve."

Pelas contas da Federação Única dos Petroleiros (FUP), a perda de produção chegou a 500 mil barris e houve problemas no envio de gás para o continente. Os petroleiros de Campos querem que o dia de desembarque das plataformas seja contado como dia trabalhado e não como folga.

Ontem, petroleiros de outros Estados iniciaram uma paralisação de 48 horas, com cortes e atrasos nas trocas de turno. "É um movimento para alertar a Petrobras", diz o diretor da FUP, Hélio Seidl.

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