Caracas, 25 ago (EFE).- Os funcionários petroleiros do noroeste da Venezuela paralisaram hoje durante algumas horas suas atividades, em protesto contra o pedido do presidente Hugo Chávez para pôr fim às relações da administração pública com empresas contratistas.

"Estamos de braços cruzados protestando nas ruas; os próprios trabalhadores se uniram espontaneamente a esta paralisação, o que não significa que tenham sido fechadas as instalações petrolíferas", informou o secretário-geral do Sindicato de Trabalhadores Petroleros do estado de Zulia, Germán Cortés.

"Os contratos foram eliminados e estão obrigando o pessoal a se organizar em cooperativas, coisa que nos alarmou. É por isso que estamos reagindo", indicou o dirigente petroleiro.

Cortés assegurou que seu grupo reúne cerca de 2 mil operários, mas que em Zulia há "mais de 20 mil trabalhadores contratistas que seriam afetados".

Chávez pediu na sexta-feira passada a eliminação das relações das estatais com contratistas privados, pois, segundo sua opinião, isso seria "capitalismo selvagem".

"Vêm para cá alguns senhores, e contratam os trabalhadores lhes pagando uma miséria, nem sequer salário mínimo. Não dão seguridade social, os exploram como se fossem escravos", disse o governante.

O dirigente sindical, que disse ser militante do Partido Socialista Unidos da Venezuela (PSUV), liderado por Chávez, acrescentou que a eliminação dos contratistas prejudica a todos.

"Até os chavistas vão ficar de fora", afirmou.

Um dia após seu pedido, Chávez negou que sua "revolução socialista" pretenda eliminar a propriedade privada, mas convocou os empresários "a trabalhar pelo país" e a unir-se a seu projeto. EFE ar/gs

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