A Petrobras acionou um plano de contingência e conseguiu evitar grandes perdas de produção com a greve dos petroleiros da Bacia de Campos, deflagrada à meia-noite de domingo. O movimento, apontado por analistas internacionais como um dos fatores de pressão nos preços do petróleo, começou com a paralisação de 13 plataformas da maior região produtora do País.

No início da noite de ontem, porém, a Petrobras já havia retomado as operações em todas as unidades.

Segundo nota da companhia, a greve provocou uma perda de 63 mil barris, ou 3,4% da produção nacional. "Mesmo que tivéssemos conseqüências mais sérias nessa questão da paralisação, os estoques seriam capazes de atender ao mercado sem restrições", disse o diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa. Às 18 horas, diz o texto, 96% da produção da maior bacia produtora do País já havia sido retomada.

De manhã, o Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense (Sindipetro-NF) divulgou balanço calculando que as 13 plataformas paradas eram responsáveis pela produção de 400 mil barris por dia. Segundo o sindicato, 33 embarcações aderiram à greve, mas, por força de liminar obtida pela estatal no sábado, os funcionários foram orientados a desembarcar e entregar as operações às equipes de contingência.

O diretor da Federação Única dos Petroleiros, José Genivaldo da Silva, afirmou que cerca de 250 trabalhadores com cargos de supervisão ou coordenação foram deslocados para as plataformas para formar as equipes de contingência. As lideranças sindicais criticaram a medida, dizendo que o reduzido tamanho das equipes põe em risco a integridade dos equipamentos. Uma plataforma como a P-50, que opera com 25 trabalhadores no turno da manhã, ontem tinha apenas sete.

Em assembléia no fim da tarde, os grevistas rejeitaram contra-proposta apresentada pela companhia no dia 10, mantendo o movimento grevista. A categoria reivindica que os dias de desembarque das plataformas sejam contados como dia trabalhado e não como folga. Atualmente, os empregados cumprem turnos de 14 dias trabalhados por 21 de folga. O Sindipetro-NF propõe que os turnos sejam de 15 dias trabalhados por 20 de folga, com 1,5 dia de folga extra por turno cumprido.

Hoje, a federação reúne sindicatos para estender a paralisação a outras unidades da estatal. Nesse caso, a luta é por um aumento na proposta de Participação nos Lucros e Resultados referente ao desempenho do ano passado, quando a companhia lucrou R$ 21 bilhões.

Em Nova York, o petróleo teve alta de apenas 0,07%, encerrando o pregão a US$ 145,18 por barril.

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