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RIO - Os 1.600 petroleiros que estarão embarcados na próxima semana, ligados ao Sindicato do Norte Fluminense, cruzarão os braços a partir da meia-noite de segunda-feira, suspendendo a produção nas 42 plataformas abrangidas pela categoria na Bacia de Campos.

A greve, que vai até a próxima sexta-feira, vai afetar a produção de petróleo da Petrobras. Segundo informou à Agência Brasil o diretor de Imprensa do Sindipetro Norte Fluminense, José Maria Rangel, cerca de 7,5 milhões de barris de petróleo deixarão de ser produzidos nos cinco dias de paralisação.

A greve será deflagrada na maior província petrolífera do país, respondendo hoje por 80% de toda a produção nacional, de cerca de 1,8 milhão de barris de petróleo por dia. Lá, são produzidos cerca de 1,5 milhão de barris/dia de óleo e 22 milhões de metros cúbicos por dia de gás.

Segundo o diretor de Imprensa do sindicato, a paralisação é uma forma de pressionar a Petrobras a pagar mais um dia de trabalho aos petroleiros. Ele explicou que, atualmente, as equipes de petroleiros recebem por apenas 14 dias em que ficam embarcados, em uma escala que implica em outros 21 de descanso.

Há vários anos, a categoria vem tentando, sem obter sucesso, que a Petrobras pague por mais um dia de trabalho, uma vez que os petroleiros só deixam as unidades produtoras no 15º dia. Eles trabalham neste dia até que o helicóptero os leve para a costa.

Nós estamos negociando com a empresa há mais de dez anos e, no último acordo coletivo, no ano passado, a empresa assumiu o compromisso de pagar pelo 15º dia, o que até hoje não se concretizou. Daí a iniciativa de cruzar os braços, suspender os trabalhos em todas as 42 plataformas sob a nossa responsabilidade por cinco dias, período em que cerca de 7,5 milhões de barris de petróleo deixaram de ser produzido, afirmou o diretor.

Procurada pela Agência Brasil, a Petrobras, por meio de sua assessoria de imprensa, informou que a empresa está sempre aberta ao diálogo e que já está em curso um plano de contingência para que a produção não venha a ser afetada.

Em São Paulo, o presidente da estatal, José Sergio Gabrielli, afirmou que a produção vai continuar. A produção vai continuar. Vamos, se necessário, implementar um plano de contingência para manter a quantidade mínima de funcionários para continuar produzindo , disse.

Já o sindicato garantiu que se a Petrobras embarcar uma equipe de contingência para furar a greve, o que é um risco para os equipamentos, os empregados que estiverem embarcados vão solicitar o desembarque imediato das plataformas. Caso não o possamos fazer, vamos denunciar a empresa por cárcere privado.

O Ministério Público Federal do Trabalho, em Macaé, tentou intermediar uma negociação entre a Petrobras e o Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense (Sindipetro NF) para garantir um efetivo mínimo de trabalhadores e a manutenção da produção, mas, segundo o diretor de imprensa do sindicato, não houve acordo.

(Agência Brasil)

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