Publicidade
Publicidade - Super banner
enhanced by Google
 

Petroleiras buscam 6 mil executivos

A exploração da camada pré-sal vai tornar ainda mais difícil uma busca que já era bastante acirrada no Brasil: a de profissionais qualificados para o setor de óleo e gás. Um estudo do Ministério de Minas e Energia havia apontado primeiramente uma necessidade de 75 mil profissionais para o setor até 2010, valor que no ano passado subiu para cerca de 110 mil.

Agência Estado |

Com a descoberta de novas jazidas, o número foi elevado para 112 mil - e ainda deve subir mais, segundo especialistas.

A maioria das vagas (cerca de 106 mil) está nas áreas operacionais. Mas pelo menos 6 mil profissionais precisam de formação superior nas áreas de engenharia ou administração para coordenar as atividades de exploração.

"Se não for feita a capacitação de profissionais, o Brasil não será capaz de explorar nem aproveitar todos os benefícios que são tão falados desde as descobertas das jazidas do pré-sal", diz o coordenador do MBA em gerência do Programa de Mobilização da Indústria Nacional de Petróleo e Gás Natural (Prominp), Carlos Salles.

Na semana passada, Salles iniciou as aulas para um grupo de 200 executivos na FGV, interessados em atuar no setor. "Só na FGV, mil executivos já foram capacitados com MBA específico. Mas ainda é pouco, precisamos chegar a 6 mil até 2010."

O Prominp é um programa do governo federal que visa a formação de profissionais para trabalhar nas empresas que atuam em conjunto com a Petrobrás na exploração de petróleo. "A formação pode ir de 30 dias, para profissionais de nível básico, a um ano, para os executivos e engenheiros", explica Salles. "E praticamente todos são chamados por alguma empresa do setor após o fim do curso, pois há uma grande pressa."

Em palestra no Rio Oil & Gas, evento que termina hoje no Rio de Janeiro, o gerente executivo de pré-sal da Petrobrás, José Formigli, apresentou o cronograma de avaliação das oito descobertas da região, segundo negociações que estão sendo finalizadas com a Agência Nacional do Petróleo (ANP): Tupi, com reservas entre 5 e 8 bilhões de barris, tem de ser avaliado até dezembro de 2010; Carioca, até 2011; Júpiter, Guará e Caramba, até 2012.

Os prazos apertados e a falta de mão-de-obra fazem com que alguns salários fiquem distorcidos. "De maneira geral, eles acompanham o mercado. Mas podem ir desde um salário mínimo a até R$ 20 mil, que é o que um soldador de dutos recebe, por haver pouquíssimas pessoas que façam esse serviço", diz Salles.

O consultor da Fesa Global Recruiters, Fernando Lohmann, afirma que, desde o ano passado, o número de buscas por profissionais especializados cresce progressivamente. "Para algumas posições, é possível trazer profissionais de outras indústrias, como siderurgia ou mineração." Ele acredita que, com as novas jazidas, a busca por executivos continuará aquecida pelo menos até 2015. "Há pessoas voltando do exterior para atuar no mercado. Não é uma busca simples, recebemos pedidos até para posições de presidência."

A principal razão para a falta de profissionais são os anos sem investimento no setor. "Durante a década de 80, muitas escolas e empresas fecharam durante a crise do petróleo, porque não havia investimento. Agora, estamos sentindo os efeitos", explica Lohmann. O investimento previsto da Petrobrás, do governo e de associações em formação de profissionais até o ano de 2010 é de cerca de R$ 300 milhões.

Atualmente, o Brasil forma 30 mil engenheiros por ano - o ideal seriam 50 mil, para suprir a demanda por renovação profissional. Mas o interesse tem aumentado: o espaço destinado a universitários na Rio Oil & Gas, por exemplo, reuniu 1,5 mil alunos de 30 universidades, o triplo dos presentes na edição anterior da feira.

Uma pesquisa da consultoria Cia de Talentos, divulgada ontem, também mostrou que, entre as empresas mais desejadas pelos jovens para se trabalhar, a Petrobrás aparece na 1ª posição, seguida por Google e Unilever. O principal ponto positivo da Petrobrás, para 80% dos entrevistados, são os salários e benefícios oferecidos.

Leia tudo sobre: home

Notícias Relacionadas


Mais destaques

Destaques da home iG