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Num pregão volátil, a Bovespa perdeu o sinal positivo nos minutos finais, com Petrobras arrefecendo a força exibida mais cedo. Mas foram as ações da estatal do petróleo as estrelas do pregão, com giro de R$ 1,061 bilhão, 30,35% do total negociado.

Os papéis operaram na contramão do petróleo praticamente o dia todo, com a compra de investidores estrangeiros. Devolveram nos minutos finais, depois que a estatal sinalizou que deve cortar o preço da gasolina em abril. Vale e bancos jogaram no time contrário, assim como Nova York, que fechou em baixa pela segunda sessão seguida, em dia de agenda fraca.

A Bovespa terminou o dia em queda de 0,93%, aos 40.076,41 pontos. Oscilou dos 40.076 pontos (-0,93%) na mínima aos 41.053 pontos (+1,48%) na máxima. Apesar da queda de hoje, acumulou ganhos de 2,72% na semana. No mês, a alta é de 4,96% e, no ano, de 6,73%. O giro financeiro totalizou R$ 3,495 bilhões.

Depois de um dia todo no azul, uma instituição estrangeira entrou pesado na venda de Petrobras, derrubando as ações PN da estatal (-0,51%) e levando as ON para a estabilidade. Uma das razões pode ser o anúncio feito pela empresa de que está repondo perdas com preços no passado e que os reajustes nos combustíveis serão feitos quando terminar a reposição, o que pode acontecer em abril. Isso é um sinalizador de que a estatal vai, enfim, cortar os preços da gasolina, aproximando-os aos do mercado externo.

Antes, a estatal operava na contramão do petróleo - na Bolsa Mercantil de Nova York, o barril fechou em baixa de 1,07%, a US$ 51,06 - e apesar da greve de cinco dias prevista para iniciar na próxima segunda-feira. A Petrobras também anunciou hoje ter estabelecido recorde mundial de produção de petróleo para reservatórios carbonáticos em relação à lâmina d'água com a entrada em produção do poço 7-MLL-54HP, no campo de Marlim Leste, na Bacia de Campos.

Além do empurrão final de Petrobras, o Ibovespa foi influenciado pela Vale, que trabalhou em baixa o dia todo. Os papéis ainda oscilam ao sabor da maré vinda da Ásia, hoje com o reforço dos metais básicos em baixa. Pairam sobre a empresa as incertezas em torno da retomada da demanda chinesa e também sobre as negociações para o preço do minério nos contratos 2009-2010. Hoje, a BHP Billiton anunciou acordo com as siderúrgicas japonesas para reduzir em cerca de 60% os preços do carvão de coque para o ano de contrato 2009-2010. Embora isso possa ser um indício do que espera a Vale nas negociações neste ano, o que se ouviu no mercado hoje é que boa parte da redução dos preços dos contratos já está embutida nos preços - daí a queda dos papéis em várias sessões - e o efeito teria sido limitado. Mas como as incertezas sobre a demanda na China ainda continuam, os papéis ainda oscilam em baixa. Vale ON recuou 1,42% e PNA, 0,73%.

Outra briga de forças do pregão aconteceu hoje entre dois setores com peso considerável. Bancos caíram, enquanto siderúrgicas fecharam majoritariamente em alta: exceção para CSN ON, que recuou 0,88%. Os bancos, lembram operadores, acompanharam o desempenho do setor nos EUA, responsável pela queda dos índices acionários. O Dow Jones terminou em baixa de 1,65%. O setor financeiro foi influenciado pela declaração da presidente da Corporação Federal de Seguro de Depósito (FDIC, na sigla em inglês), Sheila Bair, que reiterou que a falência de bancos nos próximos cinco anos deve provocar perdas de US$ 65 bilhões para os fundos da instituição.

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