SÃO PAULO - Depois de uma breve tentativa de alta, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) volta a firmar posição em território negativo. Por volta das 13h10, o Ibovespa recuava 1,02%, para 60.483 pontos. O giro financeiro estava em R$ 2,87 bilhões.

Em Nova York, o Dow Jones avançava 0,68%, mas o Nasdaq perdia 0,10%. Os negócios acabam mais cedo hoje em Wall Street e amanhã não haverá pregão por causa do feriado de 4 de Julho.

Os investidores reagem aos dados sobre o mercado de trabalho americano. Foram fechadas 62 mil vagas em junho, resultado em linha com o esperado. A taxa de desemprego permaneceu inalterada em 5,5%, contra previsão de 5,4%.

O gerente de renda variável da Modal Asset Management, Eduardo Roche, comentou que a Bovespa tentou pegar carona na melhora externa, mas o fraco desempenho das ações da Petrobras, Vale e das siderúrgicas impediram a recuperação.

O índice chegou a testar o território positivo, mas a queda nas ações da Petrobras, ativo de maior composição no índice, puxou o Ibovespa de volta para o vermelho. Há pouco, o papel PN recuava 2,45%, para R$ 42,90. Vale PNA tinha queda de 1,05%, para R$ 42,94. Baixa também para CSN ON, de 1,89%, a R$ 62,00, e para Usiminas PNA, de 4,58%, a R$ 68,60.

O especialista chama atenção para o setor bancário, que recupera parte das perdas recentes. Destaque para a ação PN do Bradesco, que subia 2,78%, para R$ 32,80, Banco do Brasil ON valorizava 2,79%, para R$ 24,67, e Itaú PN ganhava 0,31%, para R$ 32,15.

De acordo com Roche, o cenário é bastante complicado tanto aqui quanto lá fora e é difícil perceber uma virada de tendência. O mercado tende a ficar oscilando com viés de baixa. Mesmo com o índice nos 61 mil pontos, não há indicação de volta do investidor.

Ele também observou que, o investidor estrangeiro, que responde por cerca de 35% do giro diário da bolsa, segue operando na ponta vendedora. Só no mês passado, tal classe de investidor teria sacado mais de R$ 7 bilhões.

Para o especialista, a queda na Bolsa não reflete apenas o menor fluxo de recursos; também existe uma deterioração nos fundamentos, com a alta da inflação e o conseqüente aperto monetário.

Segundo ele, a inflação em ascensão prejudica a chamada segunda linha da Bovespa, composta por ações de consumo e construtoras. Os juros altos tiram um pouco na perspectiva sobre o crescimento do crédito, motor da lucratividade dos bancos. Além disso, a combinação dos dois fatores aumenta o risco de inadimplência. Roche lembra que o número de devedores pessoas físicas já apresenta crescimento, mesmo que modesto, por três meses consecutivos.

Pelo lado externo, a instabilidade no preço das commodities atinge diretamente a primeira linha da bolsa, composta pelas ações Petrobras, Vale e siderúrgicas. Cabe lembrar que esses papéis fazem mais de 50% do índice e foram eles que garantiram a recuperação da bolsa no final do ano passado e começo desse ano.

Tanto os setores ligados a fatores externos quanto os relacionados à dinâmica interna têm seus problemas. O fundamento deteriorou, não é apenas fluxo. É difícil perceber uma inversão de tendência com o mercado entrando em uma recuperação consistente.

No âmbito corporativo, queda com volume acentuado para as ações da Lojas Renner, que perdiam 4,53%, para R$ 27,60. Cyrela ON caía 2,63%, para R$ 19,95 e Sadia PN cedia 2,23%, para R$ 10,50.

Na ponta oposta, Telemar Norte Leste PNA ganhava 3,63%, para R$ 83,43. Light ON subia 3,55%, para R$ 21,53, e TIM Part ON tinha alta de 3,39%, para R$ 5,48.

Dólar

No câmbio, o dólar opera em alta ante o real, mas as compras são menos acentuadas do que as observadas durante a manhã. Há pouco, a divisa valia R$ 1,607 na venda, com valorização de 0,24%.

(Eduardo Campos | Valor Online)

Leia também:

Leia mais sobre dólar - Bovespa

    Leia tudo sobre: bovespa
    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.