A diretora de Gás e Energia da Petrobrás, Graça Foster, confirmou ontem a necessidade de construção de um novo terminal de regaseificação de Gás Natural Liquefeito (GNL) no Brasil. Segundo ela, a unidade deve ficar provavelmente no Sul do País, próximo a uma ampla rede de gasodutos.

A idéia, segundo a diretora, é iniciar o planejamento básico para a construção do terminal já em 2009.

"Nós vamos fazer esse novo projeto com muita calma e não com a loucura e correria que foram feitos os outros dois terminais, em que conseguimos antecipar a operação em pelo menos cinco meses", disse ela durante evento promovido pelo Instituto Brasileiro de Estudos do Direito da Energia (IBDE), referindo-se ao terminal instalado no Porto de Pecém (CE) e o que começará a operar na Baía de Guanabara em março de 2009.

Ambos têm capacidade total para processar 21 milhões de metros cúbicos por dia. Para o novo terminal, Graça Foster não quis antecipar qual será a capacidade de processamento.

Indagada sobre os efeitos da crise financeira, a diretora demonstrou otimismo e disse não ver dificuldade para que a Petrobrás desenvolva os projetos previstos para os próximos dez anos. "O crédito está curto, o financiamento está difícil, mas bons projetos sempre são bem aceitos. Segundo ela, "se as questões financeiras não eram as maravilhas que estavam anunciando antes, agora também não são todo esse terror".

De acordo com a executiva, a queda no preço internacional do barril de petróleo não assusta a Petrobrás. Os projetos da estatal, segundo Graça, "suportam, e bem, um preço de petróleo a US$ 35" por barril.A diretora de Gás e Energia disse ainda que, diante "da robustez da Petrobrás e suas reservas inquestionáveis", a equação financeira para os investimentos da estatal estará resolvida no médio e longo prazos.

Ela não deixou claro se o nível de preço mencionado vale também para os investimentos na camada pré-sal. "A carteira do pré-sal para o período após 2012 será avaliada em outra situação (e não na atual conjuntura financeira) e numa discussão que transcende inclusive os limites da Petrobrás", disse, lembrando que a Comissão Interministerial que está discutindo o novo marco regulatório para o setor ainda não apresentou conclusões definitivas sobre o assunto.

Em linha com a queda no preço internacional do barril de petróleo, a Petrobrás anunciou uma redução no valor do Querosene de Aviação (QAV) para o mês de novembro, de 7,87%. O combustível, junto com a nafta e o óleo combustível, está entre os únicos para os quais a estatal repassa as oscilações do mercado internacional uma vez por mês. De acordo com o Sindicato Nacional das Empresas Aeroviárias (Snea), no acumulado do ano, porém, o querosene de aviação acumula alta de 17,15%.

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