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Petrobras terá ainda mais importância com pré-sal, diz Lula

BRASÍLIA - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou nesta quinta-feira que a Petrobras se beneficiará da exploração de petróleo da camada pré-sal, ganhando maior importância no cenário mundial.

Redação com agências |

 

"A empresa, que levou mais de 50 anos para conquistar a auto-suficiência, fez as descobertas das enormes jazidas do pré-sal, que tornarão ainda mais importante a sua posição no cenário mundial", discursou o presidente durante reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, no Palácio do Planalto.

A declaração do presidente foi feita em meio a especulações de que a Petrobras possa ser prejudicada em um eventual novo modelo a ser adotado para a exploração do pré-sal que passe pela criação de uma nova estatal para administrar as novas jazidas.

O pré-sal é uma faixa em águas ultraprofundas da costa brasileira que vai do Espírito Santo a Santa Catarina e que pode conter bilhões de barris de petróleo, colocando o Brasil entre os maiores produtores mundiais da commodity.

O presidente disse ainda que deu três orientações aos integrantes da comissão interministerial que discute a mudança das regras no setor.

A primeira, segundo Lula, é de que o Brasil passe a ser exportador de derivados de petróleo, com maior valor agregado, e não de óleo cru.

Ele determinou também que a Constituição seja respeitada, pois a atual legislação brasileira estabelece que a propriedade das reservas de petróleo é da União.

Por fim, ele orientou que o dinheiro obtido com as novas reservas seja investido em educação e no combate à miséria. "O pré-sal é o passaporte para o futuro", ressaltou o presidente.

A comissão entregará ao presidente suas sugestões entre setembro e outubro. Segundo Lula, o governo então abrirá a discussão para a sociedade.

Lula também confirmou que a comissão interministerial, que estuda formas de explorar os recursos da camada do pré-sal, localizada abaixo do leito marinho, só entregará no fim de setembro o relatório de sugestões. A principio, o grupo entregaria as propostas ao presidente no dia 19 do mês que vem.

Investimentos

No discurso que faz na reunião do CDES, o presidente Lula ressaltou os investimentos feitos no setor de energia. "A turma do contra que me desculpe, mas não haverá apagão no País. Estão aí os leilões vitoriosos das usinas hidrelétricas de Santo Antônio e Jirau (no Rio Madeira, em Rondônia)", disse. O presidente também ressaltou a retomada da política de usinas nucleares no País para incrementar o setor de energia e a licitação para o início das obras da hidrelétrica de Belo Monte, no Rio Xingu, no Pará.

Ele ainda destacou a importância da construção de refinarias de petróleo e siderúrgicas na Nordeste para agregar valores às exportações e reduzir as desigualdades da região. Ele citou a construção de refinarias de petróleo em Pernambuco, Ceará, Maranhão, Rio Grande do Norte e as siderúrgicas que deverão ser construídas no Pará e no Ceará. O presidente também afirmou que antes do seu governo, a última refinaria de petróleo a ser construída no País é da década de 80 e disse que atualmente a Petrobras trabalha para construir cinco novas refinarias.

Lula disse ainda que o presidente da Vale, Roger Agnelli, relatou a intenção da companhia em construir uma planta de alumína no Espírito Santo. Lula observou que a exportação da bauxita (matéria-prima do alumínio) sai por valores bem mais baixos que o produto acabado.

Ele também ressaltou que a opção do governo é promover o desenvolvimento no País, sem prejudicar o meio ambiente.

Ao falar sobre os setores que mais estão crescendo e que antes apresentavam problemas, Lula acabou chamando as montadoras do setor automotivo de "reclamadoras". "Como líder sindical e dirigente político passei as décadas de 80 e 90 vendo as 'reclamadoras reclamarem' do estreitamento do mercado", disse o presidente, complementado que o setor hoje caminha para ser o quinto ou sexto maior parque automotivo do mundo.

Outro setor citado foi o de cimento. "Na década de 90 só foram construídas cinco novas fábricas de cimentos. Agora há dez em construção", afirmou.

Inflação

O presidente afirmou, ainda em seu discurso no CDES, que o governo não vai permitir a volta da inflação e da irresponsabilidade fiscal. "Em hipótese alguma permitiremos a volta da inflação e da irresponsabilidade fiscal no Brasil", disse Lula.

O presidente afirmou que o governo vai trabalhar para continuar aperfeiçoando o ambiente econômico no País e, nesse sentido, ele defendeu a aprovação da "tão sonhada reforma tributária".

Lula afirmou que o Brasil vive um período de crescimento econômico com inclusão social e, segundo ele, essa é a única forma duradoura de crescimento. Ele afirmou que "o Brasil logrou atravessar o deserto da estagnação econômica". Agora, "o Brasil caminha em terras férteis, semeando e colhendo".

(Com informações da Reuters e Agência Estado)

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