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Petrobras se previne contra ações na Bolívia

Algumas medidas estão sendo tomadas pela subsidiária da Petrobras na Bolívia para precaver-se diante das ameaças da oposição boliviana de invadir as instalações petrolíferas da empresa.

Agência Estado |

A informação é de uma fonte ligada à estatal que conversou ontem com o Estado. Oficialmente, a Petrobras não se pronunciou sobre o caso.

Segundo um executivo da empresa, foram antecipadas as trocas de turnos e reforçados os estoques de mantimentos nos campos de petróleo para garantir o suprimento de produtos básicos, caso as instalações sejam cercadas por manifestantes contrários ao presidente Evo Morales.

A empresa também está mantendo os tanques de armazenamento de condensado de petróleo nos níveis mais baixos possíveis - medida que diminui o risco da redução forçada na produção de gás, caso as refinarias locais parem.

O condensado é extraído dos poços juntamente com o gás e, caso não houvesse mais onde armazená-lo, seria preciso reduzir a vazão dos poços. Além disso, a Petrobras tem mantido a rede de dutos que liga os campos ao Brasil em sua pressão máxima, garantindo um estoque maior de gás nas tubulações.

Para o executivo, é baixo o risco de que o suprimento de gás boliviano (que abastece 40% do mercado brasileiro) seja de fato interrompido. "Na Bolívia, não podemos nos alarmar com qualquer coisa, mas precisamos nos precaver", disse. A mesma opinião tem o analista político Gonzalo Chávez, da Universidade Católica Boliviana, em La Paz. "Não acredito que as ameaças se concretizem, porque seria prejudicial para todos", afirmou.

Em Brasília, o chanceler Celso Amorim disse que o governo brasileiro estudará "de maneira séria" as ameaças de grupos opositores bolivianos e, se for necessário, está disposto a "manter contato" com os governos regionais do país vizinho.

À tarde, Evo ordenou que a segurança dos campos de gás do Departamento de Tarija fosse reforçada por militares para garantir a exportação para o Brasil e a Argentina, segundo a assessoria de imprensa do Palácio Quemado. O líder boliviano também aprovou um decreto para descontar dos repasses aos governos locais o custo das reparações dos danos causados por grupos opositores em seus protestos.

Enquanto isso, nas regiões opositoras, a tensão continuava a aumentar. Em Tarija, bloqueios de estradas causavam escassez de combustível. Em Santa Cruz, aliados de Evo anunciaram que pretendem organizar um protesto contra a oposição.

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