RIO - A Petrobras trabalha para antecipar para outubro a declaração de comercialidade de Tupi e o consequente início do piloto no local, com capacidade de produção de 100 mil barris de óleo por dia. Pelas regras da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), a companhia tem até dezembro para declarar a comercialidade no campo, que tem volume recuperável estimado entre 5 bilhões e 8 bilhões de barris de óleo equivalente.

Tupi fica no bloco BM-S-11, na bacia de Santos, onde também se encontra o prospecto de Iara, com estimativas de 3 bilhões a 4 bilhões de barris de óleo recuperável.

"Estamos fazendo tudo para tentar antecipar ao máximo a entrada desse piloto. Estamos tentando colocar em outubro deste ano", ressaltou Guilherme Estrella, diretor de exploração e produção da Petrobras, que participou de palestra no Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças (Ibef-Rio).

O executivo explicou ainda que o próximo teste de longa duração (TLD) deverá acontecer no prospecto de Guará, no bloco BM-S-9, também na bacia de Santos. Estrella também se mostrou otimista em relação a Tupi Nordeste, no BM-S-11, que, segundo ele, poderá entrar diretamente no piloto, sem a necessidade de TLD.

Sobre as possibilidades do bloco BM-S-12, no sul da bacia de Santos, no litoral de Santa Catarina, o diretor explicou que a sonda perfurou o pós-sal, mas a empresa detectou boas oportunidades no pré-sal, região que a sonda usada na ocasião não poderia atingir.

Estrella revelou que uma nova sonda foi contratada para a região e as perfurações no local deverão prosseguir a partir de maio. O BM-S-12 é operado pela Petrobras, que tem 70% de participação na sociedade com a Queiroz Galvão.

O diretor disse ainda que a empresa planeja aumentar para até 75% o patamar de conteúdo nacional exigido nas plataformas adquiridas pela companhia, que devem ser construídas no país.

Em abril serão lançadas as licitações para a construção da P-58 e da P-62 e, segundo Estrella, o conteúdo nacional exigido já ficará entre 70% e 75%, " mais para 75% " .

Além disso, os módulos que serão usados nas plataformas tipo FPSO (floating, production, storage and offloading) também seguirão as novas regras.

Os cascos foram encomendados à Engevix e os módulos que ficarão sobre os cascos serão licitados conjuntamente. Segundo o diretor, a divisão da plataforma em módulos facilita o controle do conteúdo nacional pela Petrobras.

"É um maior controle sobre a cadeia quando você faz partes menores", frisou Estrella.

(Rafael Rosas | Valor)

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