RIO - A entrada em operação de duas novas plataformas e o aumento da produção das unidades existentes fazem a Petrobras projetar terminar o ano com produção de petróleo e gás superior a 2 milhões de barris de óleo equivalente por dia. A informação foi dada hoje pelo gerente-executivo de Exploração e Produção da empresa, José Antônio de Figueiredo.

Amanhã, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva batizará a P-51, primeira plataforma inteiramente construída no Brasil. A unidade deve começar a produzir, segundo Figueiredo, antes do Natal, com 20 mil barris diários em Marlim Sul, na Bacia de Campos. A P-53 deve começar a produzir no fim de novembro, ou no início de dezembro, outros 20 mil barris, em Marlim Leste, também na Bacia de Campos. Os outros incrementos de produção virão de unidades já em operação, que aumentam gradativamente os volumes extraídos.

"Nossa meta é, com sorte, produzir mais de 2 milhões de barris no final do ano. Temos outros poços, nas plataformas P-52 e P-54, que vão entrar em operação e elevar a produção", frisou Figueiredo.

A P-51 recebeu investimentos de US$ 1 bilhão e tem conteúdo nacional de 75%, o maior entre as plataformas da Petrobras. Pedro Barusco, gerente-executivo de Engenharia da Petrobras, explicou que o aumento em relação ao preço inicial estimado de US$ 800 milhões foi conseqüência do comportamento do câmbio e do preço do aço.

Barusco ressaltou que o dólar no momento da contratação estava a R$ 2,98 e, com o desembolso aos fornecedores brasileiros em reais, aumentou proporcionalmente o custo em dólares.

"Houve impacto significativo do câmbio e do aço. A P-52, a P-53 e a P-54 também tiveram esse impacto", disse Barusco.

Figueiredo revelou ainda que o plano de investimentos da companhia - previsto para ser divulgado em outubro - deve trazer um ajuste para o preço do petróleo que mantém viáveis os projetos da companhia. No plano atualmente em vigor, a estatal projeta que, com US$ 35 o barril, os projetos da companhia se mantêm viáveis.

"Vai haver um pequeno ajuste para cima, mas com certeza bem abaixo de US$ 80", revelou Figueiredo.

O gerente-executivo de E & P concordou que a empresa deve avaliar o impacto da crise internacional nos investimentos previstos, mas afirmou que, por enquanto, não há previsão de adiamento no cronograma de divulgação.

"A crise é muito recente e é muito cedo para falar qualquer coisa. Até o momento nós não mudamos o cronograma de divulgação", disse. "Obviamente a empresa vai analisar o impacto nos seus investimentos", acrescentou.

(Rafael Rosas | Valor Online)

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