O diretor de Exploração e Produção da Petrobras, Guilherme Estrella, disse hoje que a atual cotação internacional do petróleo viabiliza de longe a produção petrolífera na chamada camada pré-sal. Estrella, entretanto, não revelou qual é o piso para o preço da matéria-prima (commodity) com o qual a Petrobras trabalha para explorar o pré-sal.

"Todas as empresas do setor têm esses referenciais, mas isso é confidencial, já que algumas empresas são mais eficientes que outras", disse. Ele afirmou, entretanto, que os sócios privados da empresa no megacampo de Tupi também avaliaram como viável o preço do petróleo para iniciar, a partir do ano que vem, o teste de longa duração no campo.

"Nova era"

Estrella afirmou que o início das operações no pré-sal do campo de Jubarte, na costa do Espírito Santo, que será celebrado amanhã com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, "marca uma nova era do petróleo no Brasil". "Estamos como na década de 80, quando começamos a retirar o óleo dos campos de Albacora e Marlim, que hoje já são campos gigantes", disse o gerente-executivo do pré-sal da estatal, José Formigli, em entrevista coletiva à imprensa em Vitória.

Segundo Formigli, tanto o início da operação no pré-sal de Jubarte quanto o teste de longa duração em Tupi, previsto para ter início em março de 2009, são a base para determinar as características do óleo do pré-sal, o tipo de equipamento a ser usado, e a forma de desenvolver os campos. "Estamos começando a ter jurisprudência em termos de conhecimento para nos permitir extrapolações nesta área do pré-sal", disse Formigli.

Unitização

Estrella admitiu hoje a possibilidade de uma unitização do megacampo de Tupi com áreas não concedidas em leilão e hoje sob poder da União ocorrer antes do início do teste de longa duração previsto para começar em março de 2009. "Isso poderia ocorrer, se assim os estudos indicarem, se houver dados que demonstrem esta necessidade", disse ele, após ser indagado pela imprensa sobre a legalidade de iniciar a produção em uma área sob risco de ser unitizada. A unitização é a unificação de dois ou mais campos exploratórios que possuem um reservatório contíguo.

Segundo o diretor, "é verdade que não se pode produzir num campo que esteja sob risco de unitização". "Mas hoje não temos informações precisas de que haverá a necessidade desta unitização", informou. Segundo ele, por conta desta falta de informações, o teste de longa duração pode prosseguir até que hajam melhores indicações que permitam identificar se há realmente a necessidade desta unitização.

ANP

Segundo o gerente do pré-sal da Petrobras, José Formigli, a Agência Nacional do Petróleo (ANP), que, além de regulamentar o setor, em tese administra as áreas da União não concedidas em leilão, "terá papel fundamental" para autorizar a obtenção de dados naquela área. "Se precisar, vamos furar mais vezes em Tupi e há a possibilidade de fazer perfurações em áreas não concedidas para determinar a área para a unitização", disse Formigli.

"Assim que tivermos informações mais precisas, discutiremos com a agência a unitização", disse ele, ressaltando que a questão da unitização é "um problema excelente de se resolver". "Se houver a necessidade de unitizar, será porque o volume de Tupi é maior do que a estupenda área geográfica que já conhecemos. Isso é ótimo", afirmou o executivo.

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