A Petrobras pode rever para baixo a proposta de investir R$ 72 bilhões em 2009, que havia sido enviada ao Congresso em agosto, um mês antes do agravamento da crise internacional. Ontem, ao comentar o adiamento da revisão do plano estratégico, o presidente da companhia, José Sérgio Gabrielli, informou que o ano de 2008 será fechado com investimentos em torno de R$ 55 bilhões, mas não quis arriscar se o ritmo será mantido no próximo ano.

“Particularmente, espero que não seja menor (o valor), mas o conselho (de administração) decidirá sobre o plano”, disse, em resposta à possibilidade de um recuo no volume de recursos em relação a este ano.

Gabrielli comentou que a Petrobras foi surpreendida pela dimensão e rapidez da crise e se mostrou perplexo diante do comportamento do preço do petróleo. “Essa volatilidade em seis meses não era esperada por nós. Foi uma queda muito rápida”, disse lembrando que a estatal trabalha com a referência de preço do tipo Brent, normalmente cotado abaixo do tipo WTI. “Agora isso se inverteu: o WTI está em US$ 33 e o Brent, em U$ 44. Isso denota as incertezas sobre o que vai acontecer no futuro próximo”, disse o executivo, justificando o adiamento do plano estratégico da empresa.

Gabrielli evitou entrar em detalhes sobre a reunião ocorrida na última sexta, em Brasília, com a participação da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, presidente do conselho de administração. “Avaliamos que o pré-sal, aos preços atuais do barril, em US$ 40 ou US$ 50, é viável”, afirmou.

A estatal tem projetos de vulto, todos com orçamento acima de US$ 4 bilhões, mas nenhum deles foi avaliado no atual cenário. Um grupo de 200 técnicos analisa todos os cenários para os trabalhados de exploração e produção na região do pré-sal, mas somente os projetos que já estavam em andamento estão mantidos. Gabrielli preferiu esquivar-se da questão do encargo político da estatal de manter a liderança de investimentos no País.

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