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Petrobras negocia para vender gás natural no mercado spot

Por Denise Luna RIO DE JANEIRO (Reuters) - A Petrobras está negociando com as distribuidoras de gás natural para vender o combustível no mercado spot (à vista) e assim tentar reverter os recorrentes prejuízos da área de gás e energia.

Reuters |

Segundo a diretora de Gás e Energia da companhia, Maria das Graças Foster, a distribuidora de São Paulo, Comgás, tem sido uma das mais receptivas ao projeto. Ela explicou que a oportunidade de venda no mercado à vista poderá viabilizar às distribuidoras um atendimento adicional aos clientes e mais receita à Petrobras.

'Elas têm que desenvolver esse mercado, se tem um cliente que tem quer mais 500 mil (metros cúbicos de gás) no final do ano para aumentar a produção, mando para ela e aí vou ter resultado positivo', explicou a executiva.

Recém saída de um grave crise com a Bolívia, que deixou de fornecer 15 milhões de metros cúbicos no dia 10 de setembro, Graça se disse confiante na continuidade de fornecimento mas que o plano de contigência da Petrobras estará sempre pronto para entrar em campo em eventuais cortes de envio de gás.

Segundo Graça, passada a crise, a Petrobras tem condições de oferecer cerca de 1 milhão de metros cúbicos que estariam disponíveis em condições ideais de abastecimento de mercado, ou seja, com chuvas enchendo as hidrelétricas para gerar energia hídrica.

'Tem 1 milhão de metros cúbicos por dia que fica preso no gasoduto e eu não coloco no mercado spot porque os consumidores não estão preparados para receber', afirmou.

GNL

Graça disse que a competitividade da empresa foi reduzida nos leilões de energia que o governo realiza pelo fato da companhia estar utilizando Gás Natural Liquefeito (GNL) na formação de preço para as ofertas em leilão.

Segundo ela, a Petrobras vai esperar 60 dias pelo carregamento solicitado de GNL ao mercado, que só será comprado quando houver demanda, e pagará 8 dólares o megawatt-hora durante o tempo de espera.

'Nós temos 60 dias para trazer o GNL, isso nos custa a opção pelo GNL, isso tem um custo inerente que me tira da competição (do leilão)', afirmou.

A Petrobras está construindo dois terminais de regaseificação de GNL no país para reduzir a dependência da Bolívia, mas o produto é importado, e o preço, superior ao produzido no mercado nacional.

A solução, segundo Graça, virá com o aumento da produção de gás já prevista pela empresa e principalmente quando começar a produção no pré-sal da bacia de Santos, onde se esperam volumes significativos de gás.

'Voltaremos a ser competitivos quando tivermos mais gás doméstico ou tivermos GNL lá longe nosso (nos campos da bacia de Santos), que eu não tenha que pagar um risco de um suprimento ', disse Graça, que já havia informado que a tendência para parte do gás do pré-sal será a transformação em GNL para o mercado interno e para exportação.

Em tom de crítica, Graça afirmou que enquanto não cresce a produção nacional a empresa continuará com desvantagem nos leilões por conta do preço do GNL. Ela afirmou que a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) 'fez uma opção por uma matriz que privilegia combustíveis líquidos fósseis' e por este motivo a Petrobras não tem vez nos leilões.

'Nós estamos numa situação de indefinição, a opção da EPE é a geração com óleo combustível, cada vez mais a participação do gás tem sido menor... É preciso que haja definição clara de geração não hídrica, para que a gente entre de fato no mercado e atenda o crescimento econômico', cobrou, dizendo não saber o resultado do leilão que está sendo realizado nesta quarta-feira para entrega de energia em 2011.

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