RIO DE JANEIRO (Reuters) - A Petrobras está investindo 12,6 milhões de reais para a Coppe/UFRJ desenvolver o primeiro laboratório do hemisfério sul especializado em testes com combustíveis para navios. O objetivo é fazer um produto menos poluente para conquistar novos mercados como Europa e Mar do Norte. A unidade vai reduzir pela metade os gastos da companhia com o desenvolvimento do óleo combustível utilizado em navios, conhecido como bunker, que antes era feito em laboratórios da Noruega.

De acordo com o diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, a empresa abastece anualmente 7.200 navios no Brasil, de bandeiras nacional e estrangeira, mas visa agora ampliar as exportações do produto. Por ano, a estatal vende 5 milhões de toneladas de bunker nos mercados interno e externo.

"Estamos trabalhando para fechar contratos de exportação de bunker com baixo teor de enxofre para Europa, Mar do Norte, e outros lugares, é uma abertura de mercado muito importante", avaliou Costa a jornalistas após inaugurar a primeira fase do laboratório na Coppe/UFRJ.

Segundo Costa, a Petrobras tem a vantagem de possuir petróleo com baixo teor de enxofre, produto escasso no mercado, produzido nos campos da bacia de Campos. Ele informou que a empresa vem há algum tempo trabalhando junto a clientes e espera ainda este ano fechar os primeiros contratos.

"Hoje trabalhamos apenas no mercado spot (à vista) e agora estamos em um processo negocial para atender a Europa. Esse ano com certeza teremos os primeiros contratos de longo prazo, com isso você fideliza o cliente e tem uma programação maior", disse o executivo.

A grosso modo, os equipamentos desenvolvidos pela Coppe/UFRj possibilitarão maior queima do bunker por aumentar o potencial calorífico do produto.

"Há a queima integral do derivado, por isso o preço vai ser majorado, vai ser bom para Petrobras e bom para o meio ambiente", explicou Costa.

Presente no evento, o gerente executivo do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento da Petrobras, Carlos Tadeu Fraga, que acompanha o projeto, informou que com o melhor aproveitamento do calor do combustível existe menor desperdício do produto e, portanto, menor impacto ao meio ambiente.

"A partir de 2010/2011 os navios terão que obrigatoriamente usar bunker de baixo enxofre, e não há muita oferta no mercado. Vai ser bom para a Petrobras", afirmou Fraga.

(Por Denise Luna)

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