RIO - A Petrobras pretende dar um salto na produção de petróleo e gás no Brasil com a entrada em operação dos novos sistemas de produção no pré-sal. Entre 2015 e 2020, a estatal planeja colocar em funcionamento 19 sistemas (que incluem plataformas flutuantes de produção e armazenagem além de linhas flexíveis para transferência do óleo) na região, para elevar a produção diária de petróleo (sem incluir gás) de 2,98 milhões de barris por dia em 2014 para 3,92 milhões de barris em 2020.

Nesse período, a companhia vai aumentar o número de plataformas de produção de 132 - hoje são 117 - para 168.

De acordo com dados de um documento a que o Valor Online teve acesso, a produção agregada de óleo e gás deverá dar um salto de 3,68 milhões de barris diários de óleo equivalente (medida que inclui petróleo e gás) em 2014, para 5,10 milhões de barris equivalentes em 2020. Para 2015, a Petrobras prevê a produção de 3,34 milhões de barris/dia de petróleo e 4,14 milhões de barris/dia de óleo equivalente, volume que sobe para 3,60 milhões de barris/dia de petróleo e 4,48 milhões de barris/dia equivalentes em 2016.

Para 2017, a expectativa da empresa é produzir 3,74 milhões de barris de petróleo diários e 4,70 milhões de barris diários de óleo equivalente, volume que salta para 3,83 milhões de barris/dia de petróleo e 4,83 milhões de barris/dia de óleo equivalente em 2018 e para 3,90 milhões de barris/dia de óleo e 5,08 milhões de barris/dia de óleo equivalente em 2019.

Para 2015 estão previstos quatro sistemas de produção no pré-sal, além de uma plataforma do tipo FPSO (Floating, Production, Storage and Offloading) para produzir óleo pesado no campo de Siri, na Bacia de Campos; e da plataforma do campo de Papa-Terra, também na Bacia de Campos. No ano seguinte, a estatal planeja colocar em operação outros quatro sistemas no pré-sal.

Previsto para entrar em operação em 2018, o campo de Júpiter - no pré-sal da Bacia de Santos e com expectativa de reservas gigantescas de gás natural - vai permitir o aumento da participação do gás na produção total da Petrobras no país. Mas não vai afetar tanto a oferta do insumo ao mercado nacional, pelo menos no início da produção. A Petrobras planeja disponibilizar 71 milhões de metros cúbicos/dia de gás entre 2011 e 2015. O volume vai a 75 milhões de metros cúbicos/dia em 2016, para 80 milhões metros cúbicos/dia em 2017 e permanece nesse patamar até 2020.

O que se vê nas projeções da estatal é que a importância do gás cresce, acelerando o movimento a partir de 2018, com o início da produção de Júpiter. Em 2017, a expectativa da Petrobras é de que o petróleo responda por 79,57% da produção nacional de hidrocarbonetos, patamar que cairá, segundo as projeções contidas no documento, para 76,86% em 2020.

Em 2009, a Petrobras espera produzir 2,05 milhões de barris diários de petróleo no país, volume que aumenta quando acrescido o gás natural para 2,51 milhões de barris de óleo equivalente. Em termos percentuais, a estatal prevê que a produção de óleo responda por 81,67% do total retirado dos campos em território nacional.

Conforme o documento, para manter uma relação entre reserva e produção de 15 anos - tempo que levaria para consumir todas as reservas caso a produção se mantivesse e não houvesse novas apropriações ou descobertas - será necessário elevar as reservas provadas dos atuais 14,1 bilhões de barris de óleo equivalente para 27,9 bilhões de óleo equivalente. Para que isso aconteça, a Petrobras terá que descobrir e apropriar 30,9 bilhões de barris de óleo equivalente em reservas nos próximos 11 anos. Entre 2009 e 2020, a expectativa da estatal é produzir 17,1 bilhões de barris de óleo equivalente.

(Rafael Rosas | Valor Online e Claudia Schuffner | Valor Econômico)

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