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Petrobras cai 13% e faz Bolsa fechar em baixa de 7,75%

O quadro internacional hoje era pouco inspirador e já justificava boa parte da queda da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) hoje. Mas foi Petrobras que fez o principal índice acionário doméstico fechar com perda superior a 7% nesta sessão.

Agência Estado |

Os investidores não gostaram dos números sobre gastos operacionais do balanço financeiro da estatal petrolífera, anunciado ontem à noite após o fechamento do mercados, e castigaram os papéis, que perderam mais de 13%. Considerando que a Petrobras tem a maior participação individual no índice e também movimenta a maior fatia do giro financeiro, é fácil entender tal comportamento negativo hoje na Bolsa brasileira.

O Ibovespa terminou o pregão em baixa de 7,75%, a 34.373,99 pontos, após oscilar entre a mínima de 34.221 pontos (-8,16%) e a máxima de 37.261 pontos (estabilidade). No mês, o indicador voltou a acumular perdas, de 7,74%. No ano, a queda atinge 46,19%. O giro financeiro negociado no pregão paulista foi mais forte, com investidores estrangeiros na ponta vendedora, com o reforço da aversão ao risco, e somou R$ 5,093 bilhões.

Nos Estados Unidos, faltando cerca de 30 minutos para o fim dos negócios, os mercados caíam mais de 4%. Os investidores amanheceram com a notícia de que a Best Buy, a maior varejista de eletrônicos dos EUA, cortou sua projeção de resultado para o ano fiscal de 2009. Isso aconteceu apenas dois dias depois da Circuit City, sua principal concorrente, ter entrado com pedido de concordata.

As declarações do secretário do Tesouro dos EUA, Henry Paulson, sobre o Programa de Alívio de Ativos Problemáticos (Tarp, na sigla em inglês), reforçaram o mau humor do mercado. Ele afirmou que a compra de ativos podres não é o melhor uso do Tarp, que é o programa de socorro financeiro de US$ 700 bilhões criado por ele mesmo justamente com essa função. Paulson disse ainda que poderá levar semanas para que os técnicos do governo norte-americano elaborem um programa de liquidez para títulos lastreados em ativos.

Na Europa, onde as bolsas registraram perdas de 1% a 3%, as notícias também não foram favoráveis. O Banco da Inglaterra (BoE, o banco central inglês) informou que o Produto Interno Bruto (PIB) do Reino Unido caiu 0,5% no terceiro trimestre deste ano, o que indica que a economia da região entrou em recessão. Além disso, o número de pedidos de auxílio-desemprego na região aumentou 36,5 mil em outubro, na maior alta desde dezembro de 1992 e no nono mês consecutivo de avanço.

Ações

Do lado doméstico, os investidores resolveram castigar as ações da Petrobras, apesar do lucro líquido recorde registrado pela estatal no terceiro trimestre deste ano. A empresa teve lucro líquido de R$ 10,85 bilhões no período entre julho e setembro de 2008. O aumento dos custos operacionais desagradou e levou o Credit Suisse a rebaixar a recomendação para a estatal petrolífera de acima da média do mercado para neutra. Em relatório, o desempenho também foi criticado pelo Citi e UBS.

Ao fim dos negócios, as ações ordinárias (ON) e preferenciais (PN) da estatal petrolífera despencaram 13,25% e 13,76%, respectivamente. Em Nova York, o contrato futuro do petróleo tipo WTI com vencimento em dezembro fechou em baixa de 5,34%, a US$ 56,16 o barril.

Ainda em relação às matérias-primas (commodities), Vale também caiu. As ações ON cederam 6,51% e PN classe A (PNA), -6,65%.

Outro destaque de baixa ficou com as ações da BM&FBovespa. A bolsa anunciou ontem à noite um bom resultado trimestral, com lucro de R$ 235,611 milhões de julho a setembro, o que representa uma alta 15,3% ante igual período de 2007, mas os investidores se concentraram na notícia sobre a redução, de 40%, em média, na quantidade de contratos negociados nos primeiros sete pregões deste mês em relação à média observada nos três meses anteriores. Os papéis, que têm a terceira maior participação individual no Ibovespa, caíram 8,45%.

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