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Omar Lugo. Rio de Janeiro, 26 jan (EFE).- A Petrobras espera que a crise mundial tenha curta duração e, por isso, prevê aumentar os investimentos em 57% em cinco anos, já que confia em um mercado que precise cada vez mais de energia, afirmou o presidente da empresa, José Sérgio Gabrielli, em entrevista coletiva.

O plano de negócios 2009-2013, anunciado pela Petrobras na sexta-feira à noite, contempla investimentos totais no valor de US$ 174 bilhões, com uma média de US$ 35 bilhões por ano, um dos mais altos da indústria petrolífera mundial.

"É vital para aproveitar oportunidades de ser um grande ator" no cenário petrolífero internacional, e "estar bem posicionados no momento de reversão do ciclo", afirmou Gabrielli.

O presidente qualificou o plano como "anticíclico", ou seja, com capacidade para enfrentar os efeitos negativos do atual cenário econômico, com projetos de longo prazo.

Este esforço de investimentos terá um valor maior quando o ciclo se modificar, afirmou, em referência à previsão de que, depois da crise, a Petrobras esteja "melhor posicionada".

Crise à parte, o mundo precisará cada vez mais de energia, ainda em um cenário de estagnação da demanda, explicou.

A Petrobras se apoiou em dados da Agência Internacional de Energia (AIE) que mostram que, ainda em um cenário conservador, em 2020 o mundo precisaria de uma capacidade adicional de produção de entre 55 e 65 milhões de barris por dia (bpd) e, até 2030, de entre 75 e 90 milhões de bpd.

Mas, como essa demanda não vem toda junta, mas de forma gradual, a empresa cogita aumentar sua produção ano após ano, especialmente com novos campos localizados em horizontes profundos no leito do oceano Atlântico.

"A revisão (do plano) não reflete uma avaliação da crise de curto prazo, mas uma agenda estratégica de longo prazo", afirmou Gabrielli.

Os planos contrastaram com uma saraivada de anúncios de demissões e recentes cancelamentos de investimentos equivalentes a cerca de US$ 20 bilhões em grandes e emblemáticas empresas brasileiras.

A indústria petrolífera enfrenta a necessidade de agregar volumes e capacidade de produção em "dimensões desafiantes", disse Gabrielli.

No entanto, ele acredita que a Petrobras está em uma situação privilegiada frente a outras petrolíferas, pois tem reservas comprovadas e em potencial para um aumento significativo de sua produção.

O plano contempla aumentar a produção em 1,255 milhão de bpd até 2013, para 3,655 milhões de bpd. Isto significa uma taxa anual de 8,8%, comparado com os 2,4 milhões de bpd no fechamento de 2008.

Comparado com o plano de negócios anterior (2008-2012), a produção estimada crescerá em 19%, ou 528 mil bpd.

A maior parte do novo petróleo que a Petrobras colocará no mercado provirá das novas jazidas localizadas no chamado pré-sal, a profundidades de até sete mil metros a partir da superfície do Atlântico.

A companhia já recolhe resultados destes planos de médio prazo e, até o fim de 2009, projeta uma produção de 2,757 milhões de bpd de petróleo e gás, dentro e fora do Brasil, um aumento de 357 mil bpd em relação a dezembro.

Gabrielli e os diretores da empresa defenderam a decisão oficial de não exportar petróleo cru, mas apenas produtos e derivados.

Do plano total, US$ 47,8 bilhões serão destinados à construção de novas refinarias, de modo que a empresa agregue valor dentro do Brasil ao petróleo brasileiro, para vender derivados no exterior, disse Paulo Roberto Costa, diretor de Abastecimento.

A empresa prevê completar uma capacidade de refino de 2,270 milhões de bpd para 2013, comparado com 1,779 milhão de bpd em 2008.

EFE ol/db